Em conferência de imprensa no Porto, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, referiu que, nos primeiros sete meses do ano, morreram na construção civil 23 trabalhadores, sendo que, destes, 16 “morreram em circunstâncias perfeitamente evitáveis”. O dirigente sindical, citado pela agência Lusa, deu o exemplo de um trabalhador com 69 anos que caiu do telhado de um prédio no distrito de Vila Real, onde laborava sem linha de vida nem arnês.
Segundo Albano Ribeiro, os dados disponíveis apontam para a existência de 450 mil trabalhadores na construção civil em Portugal, dos quais só 10% se encontram ao serviço de grandes empresas e 20% de pequenas e médias empresas.
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“O restante é tudo trabalho precário e clandestino, onde as mortes por negligência mais acontecem”, avançou o presidente do Sindicato da Construção de Portugal. A estrutura sindical exorta a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a centrar a sua fiscalização nos agentes económicos mais propensos ao incumprimento.
Albano Ribeiro informou que a estrutura sindical está a promover ações de sensibilização para o cumprimento integral das regras de segurança, “fazendo o que, em muitas situações, competiria à ACT”. Já terão sido contactados cerca de sete mil trabalhadores.
O dirigente sindical indicou ainda que irá entregar esta quinta-feira à ministra do Trabalho uma proposta de constituição de uma comissão quadripartida, constituída por ACT, associações patronais, sindicato e autarquias, no contexto do combate à sinistralidade laboral.
Em meados de junho, após quatro acidentes de trabalho fatais no sector, o Sindicato da Construção de Portugal enfatizou a necessidade de “uma cultura de segurança nos locais de trabalho”.