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A Silent Night foi de luta em Hong Kong

Os cânticos e barretes de Natal juntaram-se esta terça-feira ao habitual arsenal de luta dos protestos em Hong Kong. Num centro comercial da cidade, milhares de manifestantes cantaram em desafio às autoridades. A polícia lançou gás lacrimogéneo e fez várias detenções.
Polícia armada num centro comercial de Hong Kong onde os manifestantes fizeram uma ação na véspera de Natal. Dezembro de 2019. Foto de LUSA/EPA/JEROME FAVRE.
Polícia armada num centro comercial de Hong Kong onde os manifestantes fizeram uma ação na véspera de Natal. Dezembro de 2019. Foto de LUSA/EPA/JEROME FAVRE.

A véspera de Natal foi de protesto em Hong Kong, no seguimento de quase sete meses de oposição ao governo chinês. Esta terça-feira, alguns dos cânticos de Natal que se fizeram ouvir na região autónoma tinham como objetivo desafiar as autoridades.

O protesto que se tornou viral foi o convocado para o interior de um dos mais movimentados centros comerciais da cidade em Tsim Sha Tsu. Muitos manifestantes concentraram-se aí, enquanto decorriam as habituais compras de Natal, trouxeram barretes de Natal e juntaram cânticos como o Silent Night ao reportório que já se tornou tradicional desde o início da vaga de contestação que começou como resposta à tentativa de impor uma nova lei de extradição para a China continental. A partir daí, e com a lei metida na gaveta por tempo indeterminado, um conjunto de outras reivindicações sobre democracia floresceram.

A polícia considerou a concentração ilegal e dispersou-a com bastões e gás lacrimogéneo. Do outro lado houve lançamento de guarda-chuvas e outros objetos. Muitos dos polícias não estavam identificados.

Para além deste centro comercial, em três outras zonas de Hong Kong também aconteceram flashmobs. Nas ruas da zona comercial de Tsim Sha Tsui, os manifestantes bloquearam o trânsito e houve ataques a lojas como a da Starbucks, cujos vidros foram pintados e as parede grafitadas. Não por acaso. A filha do dono da concessão local da marca norte-americana de cafés tinha antes condenado publicamente as manifestações.

Outro dos alvos foi uma filial do banco HSBC cujos vidros também foram partidos e a entrada incendiada. Também não por acaso. Era neste banco que estava uma conta que recebia fundos para o movimento pró-democracia que a polícia recentemente confiscou.

Para a passagem de ano planeia-se um novo evento cujos contornos ainda não são conhecidos. Sabe-se apenas que a Frente Civil dos Direitos Humanos convocou uma manifestação.

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