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Setor da aviação na Europa não quer cumprir metas do Acordo de Paris

As maiores empresas de transporte aéreo gastam milhões de euros por ano a fazer lóbi para não haver mais regulação ambiental e fintam os esquemas de “compensação” de emissões de carbono ao mesmo tempo que recebem ajudas estatais por causa da pandemia.
Avião a descolar. Foto de dsleeter_2000/Flickr.
Avião a descolar. Foto de dsleeter_2000/Flickr.

Segundo um relatório da organização não governamental Influence Map, as maiores empresas do setor da aviação do continente gastam 6,75 milhões de euros por ano a fazer lóbi para que não sejam implementadas mudanças que permitissem cumprir o acordo de Paris de combate às alterações climáticas.

Conclui-se que este lóbi “negativo” é “um risco claro para as políticas baseadas na ciência que são necessárias na Europa para atingir os objetivos” do acordo climático, podendo assim estes “ficar comprometidos pela recusa do setor em contribuir”.

O estudo incluiu, para além das dez transportadoras aéreas mais poluentes que receberam cerca de 30 mil milhões de euros em ajudas estatais por causa da pandemia, os dois grupos económicos que hegemonizam a produção de aeronaves, Airbus e Boeing, e as duas associações principais da indústria, International Air Transport Association, e Airlines for Europe.

Para da análise geral, classifica-se o empenho ambiental de cada uma destas transportadoras aéreas. Numa escala de A a F, as empresas chumbam. As menos más são a Easyjet, SAS, Norwegian Air e a Wizz Air com D. As piores, com E ou E+, são a AirFrance, IAG, Lufthansa, Ryanair, Virgin Atlantic e a TAP.

A Influence Map considera que as transportadoras aéreas europeias fintam deliberadamente o CORSIA, o Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation, uma iniciativa de 2016 que tinha como objeto compensar as emissões poluentes: “As companhias aéreas europeias parecem estar a adotar esquemas de compensação de forma estratégica para tornar a sua imagem pública mais ‘verde’ a baixo custo, ao mesmo tempo que aumentam o número de voos realizados todos os anos, e dessa forma as emissões de gases com efeito de estufa”.

Na nota de imprensa que acompanha o estudo, é citada a eurodeputada irlandesa do GUE/NGL, Clare Daly, que considera que, com este, “ficam expostas as práticas das companhias para enganar os clientes sobre as suas credenciais verdes, assim como as inúmeras vezes em que tentam deliberadamente enganar os decisores políticos sobre as suas iniciativas criadas supostamente para reduzir as emissões poluentes.”

Também a opinião do especialista no setor do transporte aéreo e membro do Influence Map, Ben Youriev, sobre os apoios estatais a estas empresas é referida no mesmo documento: “o lóbi anticlimático acontece ao mesmo tempo que muitas companhias aéreas recebem dinheiro dos contribuintes devido à pandemia de covid-19, com alguns governos a entrarem com participações nas empresas. Isto significa que alguns governos estão a fazer lóbi de forma indireta contra as ambições climáticas da UE”.

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