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Serviços secretos dos EUA acusam Irão de tentativa de desestabilizar eleições

Depois da denúncia de que eleitores de Biden estão a receber emails intimidatórios assinados pela extrema-direita, os serviços secretos norte-americanos fizeram uma conferência de imprensa a acusar o Irão.
John Ratcliffe, responsável pelos serviços secretos norte-americanos e apoiante de Trump. Foto de MICHAEL REYNOLDS/EPA/Lusa.
John Ratcliffe, responsável pelos serviços secretos norte-americanos e apoiante de Trump. Foto de MICHAEL REYNOLDS/EPA/Lusa.

É considerado um acontecimento raro. Uma conferência de imprensa conjunta do Diretor Nacional dos Serviços de Informações, John Ratcliffe, e do director do FBI, Christopher Wray. Aconteceu esta quarta-feira e tinha um duplo objetivo: garantir que os procedimentos eleitorais para as próximas eleições presidenciais dos EUA são seguros e acusar dois países de terem recolhido dados pessoais de eleitores: Irão e Rússia.

Na verdade, o principal visado na denúncia foi o Irão. Ratcliffe, nomeado por Trump para o seu cargo, veio dizer, segundo o New York Times, que os mails que têm sido recebidos por eleitores registados como sendo do Partido Democrata, denunciados recentemente e que vinham identificados com o grupo de extrema-direita Proud Boys, teriam afinal origem em agentes iranianos. Estas mensagens dirigiram-se especificamente a Estado considerados importantes na decisão das eleições como a Florida e a Pensilvânia.

Para além de ilibar o grupo extremista, Ratcliffe afirmou que o objetivo desta campanha seria “intimidar eleitores, incitar à revolta social e prejudicar” o atual presidente. Esta parte não agradou aos democratas que, por intermédio de Chuck Schumer, líder da bancada do partido no Senado, tomou posição para contrapor que objetivo iraniano “tinha como objetivo de minar a confiança nas eleições e não se dirigia a uma figura particular”. Recorde-se que Ratcliffe é um ex-congressista Republicano e que sido criticado pela oposição por desclassificar documentos secretos de forma seletiva para ajudar o presidente.

Também se acusa o mesmo país de estar a difundir vídeos que colocam em causa a segurança do sistema eleitoral dos EUA. Segundo esses vídeos, seria possível votar fraudulentamente, até a partir do estrangeiro. Pelo contrário, o chefe do FBI garantiu a segurança das eleições, o que tem sido o próprio Trump a pôr em causa, semeando a dúvida sobre o voto por correspondência, e ameaçou que os EUA irão “impor custos” a quem tente interferir.

Já a Rússia foi acusada de ter recolhido dados de eleitores, mas não se registaram quaisquer operações depois disso.

O Irão rejeita as acusações e acusa os EUA de “tentativas desesperadas” de questionar as suas próprias eleições ao mais alto nível”, segundo o porta-voz da missão iraniana na ONU, Alireza Miryousefi. Este responsável insta o governo norte-americano a “acabar com as suas acusações malignas e perigosas” porque “ao contrário dos EUA, o Irão não interfere em eleições de outros países”.

 

A operação de intimidação lançada não constituí nenhuma proeza informática. As informações dos eleitores, que incluem as moradas de mail e números de telefone, estão disponíveis nas listas de registo de voto de cada estado e nelas consta a filiação partidária da pessoa que, ao se inscrever, se declara pertencente a um dos partidos ou não filiado.

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