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Serra da Estrela: Ambientalistas pedem fim da concessão à Turiestrela

Declaração de Impacto Ambiental chumbou o tapete rolante construído ilegalmente pela empresa em 2015. A associação ambientalista Zero acusa a empresa de “contornar e violar a lei de uma forma absolutamente descarada”.
Foto Wikimedia.

A Zero reivindica a reavaliação da concessão do turismo na Serra da Estrela, atribuída à empresa Turistrela, na década de 1980, por um período de sessenta anos.

A associação ambientalista reage assim à notícia avançada pela TSF esta segunda-feira, que dá conta de que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) chumbaram a construção do tapete rolante da Escola da Estância de Esqui.

Na Declaração de Impacto Ambiental, é assinalado que quer a CCDRC como o ICNF dão um "parecer desfavorável" face aos efeitos "ecológicos e condicionantes ambientais", salientando os "trabalhos de génese ilegal já feitos em 2015".

A Turistrela é acusada de "omitir" impactos negativos da obra. Em causa está a área de construção, numa "área de ocupação do solo muito superior à ocupada pela [antiga] base dos cinco apoios do telesqui".

No documento é referido que o tapete rolante condiciona "totalmente" a vegetação nos mais de 300 metros de construção, e que as descidas dos esquiadores exercem uma "elevada pressão sobre a vegetação e inibição da sua regeneração natural" em muitas centenas de metros quadrados à volta.

"O tapete rolante é um fator de pressão e depreciação dos ecossistemas" protegidos, tendo-se registado uma "destruição do coberto vegetal resultante da escavação e movimentação de terras por terraplanagem do terreno para torná-lo uniforme no declive e na forma" numa área rica em espécies herbáceas.

É ainda dado ênfase à "artificialização de linhas de água” e às “alterações aos regimes hídricos naturais".

Carla Graça, dirigente da Zero, destaca que a Turistrela "tentou, como se prova pelos factos, contornar e violar a lei de uma forma absolutamente descarada, numa situação grave que aqui é flagrante". A responsável pede uma multa pesada e a restituição do terreno ao Estado nas condições em que o mesmo se encontrava antes da construção do tapete rolante.

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