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Sem ter sido eleito, Beppe Grillo manda na cidade de Roma

Beppe Grillo coloca os seus próprios homens de confiança no executivo camarário de Roma, submetendo a autarquia à sua vontade.
Beppe Grillo e Virginia Raggi, por Claudio Peri, EPA/Lusa
Beppe Grillo e Virginia Raggi, por Claudio Peri, EPA/Lusa

"A partir de agora não decido mais nada" [Ormai non decido piú nulla], foi assim que Virginia Raggi, eleita Presidente da Câmara Municipal de Roma com 67%, há apenas seis meses, pelo Movimento 5 Estrelas, reagiu ao comunicado de Beppe Grillo onde assume o controlo de todas as nomeações para cargos públicos.

A decisão surge depois do chefe de gabinete e braço direito da Presidente, Renato Marra, ser preso por corrupção. A sua nomeação tinha já suscitado contestação pelo salário de 200 mil euros anuais e suspeitas de receber subornos de um agente imobiliário em 2013, enquanto trabalhava para o anterior presidente da câmara de Roma, Gianni Alemanno.

Por sua vez, a detenção de Marra surge poucos dias após a demissão de Paola Muraro, também nomeada por Raggi para vereadora responsável pelo lixo urbano, por estar sob investigação devido a suspeitas de corrupção que levaram a polícia italiana a fazer uma rusga aos escritórios aos seus escritórios no dia 15 de dezembro.

A própria Virginia Raggi está sob suspeita de abuso de poder, e será questionada pelos magistrados a 9 de janeiro.

Beppe Grillo isola Virginia Raggi


Esta sucessão de escândalos levou à especulação nos media italianos de que Raggi seria expulsa do M5S, com Grillo a partilhar um vídeo de Raggi "isolada no Quirinal" (o palácio presidencial de Itália), e a ameaçar que "decisões importantes, como nomeações" deveriam ser entregues ao partido. O que se confirmou.

Raggi aceitou a demissão de dois assessores pessoais - Daniele Frongia e Salvatore Romeo. Paralelamente, nomeou Luca Bergamo para vice-presidente da Câmara de Roma e Pinuccia Montanari para vereador do ambiente, dois homens da confiança de Grillo e que poderão assumir a presidência de Roma caso o partido considere necessário, hipótese que Bergamo rejeita.

O Movimento 5 Estrelas ganhou Roma e Turim nas últimas eleiçoes autárquicas em Itália, com um programa populista anti-corrupção.

Colocou-se no grupo de movimentos patrocinados por Donald Trump e pela Breitbart News, ao lado de Le Pen, Nigel Farage e a AfD alemã, sendo favorito nas sondagens para as próximas eleições legislativas, à frente do Partido Democrático de Renzi.

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