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"Se há dinheiro para o BANIF, também tem de haver para o Serviço Nacional de Saúde"

Marisa Matias reivindicou que “se há 2 mil e 200 milhões de euros num dia para o Banif, tem que haver para todos os dias, para todos os profissionais e para todas as pessoas que aqui vivem e que têm direito a ter SNS universal e gratuito".
Foto de Paulete Matos

Em reação à recente morte de um doente que foi transferido de Faro para Coimbra, depois de alegadamente ter sido recusado no Hospital de S. José, Marisa Matias afirmou que “não pode ser admissível um discurso vazio em termos dos direitos, precisamos de um investimento direto e concreto no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para evitar que situações destas continuem a acontecer”.

A candidata presidencial esclareceu que a falta de investimento na saúde, equivalente ao dinheiro gasto num dia no Banif, "tem exclusivamente a ver com opções ideológicas, que colocam sistematicamente os interesses dos mercados e económicos à frente da vida das pessoas", e exigiu o fim de uma lógica “que nada tem a ver com a salvaguarda dos direitos, nada tem a ver com a consolidação de contas públicas, que continuam por consolidar".

 “Chega de vender o ciclo de sacrifícios que nada fez a este país"

Estas declarações foram prestadas aos jornalistas após uma reunião com a CGTP, em Lisboa, em que se fez acompanhar da deputada Isabel Pires; do membro do Conselho Nacional da CGTP, Francisco Alves e do Chefe da Casa Civil de Mário Soares, Alfredo Barroso.

"O trabalho com direitos é a garantia de uma sociedade mais justa e mais igualitária"

Marisa Matias salientou que nos últimos anos assistimos “a uma generalização da precariedade, a contratos sem direitos, a aumento do desemprego”, o que por sua vez “significa uma democracia muito menos completa”.

A candidata lembrou que não é por acaso que o direito ao trabalho ocupa um lugar central na Constituição da República. Isso acontece porque “o trabalho com direitos é a garantia de uma sociedade mais justa e mais igualitária, e não esta naturalização das desigualdades que assistimos nos últimos anos”, assinalou. Para Marisa Matias é preciso que todas as partes envolvidas, Chefe de Estado incluído/a, se empenhem “para garantir que o trabalho é mesmo tido como um direito acessível a todos”.

Questionada sobre o aumento do salário mínimo para 530 euros, afirmou que “a reposição de salários e das pensões é uma boa notícia, é bom que aconteça, é bom que continue a acontecer e que seja cada vez mais próxima e justa daquilo que são os salários que os/as trabalhadores/as merecem pelo desempenho das suas funções”. “Chega de vender o ciclo de sacrifícios que nada fez a este país senão retirar rendimentos do trabalho diretamente para o setor financeiro, diretamente para a economia não produtiva”, concretizou.

Já o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, é preciso "valorizar o trabalho e os trabalhadores, precisamos de recentrar novamente o mundo do trabalho na dinamização da economia e, particularmente, precisamos de dar um destaque cada vez mais importante à contratação colectiva", e apelou a uma participação ativa dos trabalhadores e da população em geral na mudança em curso.

“Nunca os trabalhadores conquistaram rigorosamente nada que não fosse pela sua intervenção, pela sua acção, pela sua luta, é este o momento certo para poderem dar esse contributo”, lembrou o dirigente da confederação.

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