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"Scroll": uma peça sobre precariedade e vigilância para ver no telemóvel

Antes de não termos opção senão reinventar formas de levar a cultura a casa, já a companhia de teatro Visões Úteis fazia o jogo futurista de cruzamento entre teatro e novas tecnologias, numa produção distópica produzida propositadamente para ser visionada no telemóvel. O primeiro episódio de Scroll pode, a partir de hoje, ser visto por toda a gente.  
"Caty" por Catarina Gomes. Fotografia cedida pela companhia
"Caty" por Catarina Gomes. Fotografia cedida pela companhia

Antes de não termos opção senão reinventar formas de levar a cultura a casa, já a companhia de teatro Visões Úteis fazia o jogo futurista de cruzamento entre teatro e novas tecnologias, numa produção distópica produzida propositadamente para ser visionada no telemóvel. O primeiro episódio de Scroll pode, a partir de hoje, ser visto por toda a gente.  

Foi em junho de 2019 que a companhia exibiu esta coleção de episódios com direção de Carlos Costa, feita para se ver (espiar?) no ecrã de telemóvel do espectador (voyeur?), através de uma app própria criada para o efeito. 

Nesta criação acompanhamos, sempre com a cidade do Porto como pano de fundo, o quotidiano de trabalho de dois distribuidores - Caty (Catarina Gomes) e Gil (Gilberto Oliveira) - que “colaboram” com a multinacional ficcional Scroll. A trama aparenta alargar e, com ela, alarga o número de atores (e dramaturgos, produtores, designers, engenheiros, técnicos de som) envolvidos nesta experiência. 

Embora a nova partilha de Scroll estivesse apenas planeada para junho de 2020, o primeiro episódio está já disponível online e os restantes irão sendo adicionados ao longo das próximas semanas. 

Os motivos estão explicados no comunicado da companhia:

“Esta partilha de Scroll (...) foi antecipada, de modo a responder à particular necessidade atual de disponibilização de conteúdos à distância; mas pretende ser também uma forma de contribuir para a celebração deste inédito Dia Mundial de Teatro em que públicos e artistas não se podem encontrar, e ainda de prestar homenagem a todos os estafetas e entregadores, de quem tanto dependemos neste momento, e que continuam a trabalhar para possamos mais facilmente ficar em casa.”

O projeto parece suscitar uma crítica à recente uberização das sociedades, na qual os distribuidores estão sujeitos a situações de precariedade que poderão intensificar-se no cenário de emergência que atravessamos. 

É, por isso, de uma dupla solidariedade que Visões Úteis disponibilize Scroll neste momento. Solidariedade com quem, tendo de estar em casa, pode em comunidade celebrar este Dia Mundial do Teatro de uma forma particular. Solidariedade com quem, não podendo estar em casa, vê o seu trabalho homenageado com esta produção ímpar. 

Termos relacionados #FicaemCasa, Covid-19, Cultura
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