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Schnellecke inicia despedimento coletivo

O sindicato acusa a empresa de “perseguir cirurgicamente os trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho”, procurando substituí-los por trabalhadores precários a ganhar o salário mínimo.
Schnellecke Logistics. Foto da CGTP.
Schnellecke Logistics. Foto da CGTP.

Doze trabalhadores da Schnellecke Logistics receberam uma notificação de despedimento coletivo. A empresa, subcontratada pela fábrica da Continental-Mabor em Lousado, Vila Nova de Famalicão, e que funciona nas suas instalações, alega dificuldades. Mas o Site-Norte, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte, considera a justificação “caricata” já que a produção da fábrica de pneus “tem mantido, apesar dos condicionamentos dos últimos anos no sector, níveis altos de produção e lucro”.

O Sindicato acredita, por outro lado, que os trabalhadores, que ganham acima do salário mínimo “fruto da luta que desenvolveram no passado e de negociações com as empresas que antecederam esta”, estão a ser despedidos para depois contratar trabalhadores precários a ganhar menos: “na prática, o que a Schnellecke pretende é despedir para manter uma estratégia de precarizar as relações de trabalho e baixar salários para os mínimos legais”, escreve a direção sindical em comunicado.

O Site-Norte vai mais longe e acusa a empresa de “perseguir cirurgicamente os trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho usando a legislação laboral para precarizar ainda mais as relações laborais, baixar os salários e assim aumentar ainda mais a exploração”. Segundo o sindicato, “a substituição imediata dos trabalhadores que agora enfrentam a tentativa de despedimento por trabalhadores temporários demonstra bem, a intenção e o carácter deste despedimento”.

A mesma empresa tinha sido notícia em abril do ano passado quando despediu trabalhadores precários que asseguravam “há vários anos as mesmas funções na fábrica da Continental-Mabor”, sempre através de empresas intermediárias, denunciava-se no site despedimentos.pt. A empresa substituíra a Rangel – Distribuição e Logística e alegou então o fim de um suposto “projeto temporário” para a fábrica de pneus para mandar os trabalhadores embora.

Após a mudança para a multinacional alemã, os trabalhadores passaram a queixar-se de uma degradação das condições de trabalho, nomeadamente na diminuição das pausas durante o horário de trabalho e algumas alterações nos equipamentos, que aumentaram o desconforto e o risco de acidentes. Os trabalhadores reclamam ainda a existência de irregularidades na emissão dos recibos de vencimento, situação que estará, em alguns casos, a causar problemas no acesso a prestações sociais, nomeadamente subsídios de doença e subsídio parental.

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