You are here

Saúde: Setor privado arrecadou 41% do dinheiro público em 2018

Dos cerca de cinco mil milhões de euros dos contribuintes que vão parar ao bolso dos privados, a maior parte vai para a comparticipação de medicamentos e bens médicos, seguindo-se os hospitais e consultórios privados.
Em 2018, 41% do dinheiro público da saúde foi para o privado
Fotografia de Paulete Matos.

Dos 12.444,4 milhões de euros transferidos pelas administrações públicas para a prestação de cuidados de saúde no ano de 2018, 41% foram para entidades privadas. Trata-se de um total de 5.055,7 milhões, dos quais a maior fatia diz respeito à comparticipação de medicamentos e bens médicos nas farmácias e outros retalhistas. Outros 22,5% vão para os hospitais privados, enquanto os consultórios e gabinetes médicos recebem quase 20%, faz hoje saber o Jornal de Negócios.

Para as entidades públicas sobram assim 59% do orçamento. Os hospitais públicos absorvem 78% destes 7.308 milhões de euros e os centros de saúde ficam com a menor fatia do bolo: 18%.

E ao passo que o financiamento do Serviço Nacional de Saúde passa essencialmente pelo Orçamento do Estado, os privados da saúde recorrem a outros mecanismos de financiamento, como é o caso da ADSE ou deduções fiscais em IRS.

Os dados são do Instituto Nacional de Estatística e remetem a 2018, o ano mais recente com informação disponível. Embora os fluxos financeiros na área da saúde tenham vindo a aumentar, a estrutura mantém-se relativamente estável, diz o Negócios.

A faturação dos prestadores de cuidados de saúde privados está muito dependente do financiamento público. É que estes 41% do orçamento para a saúde representam 47% da faturação total dos privados. O dinheiro que vem do SNS é a garantia de pagamento de 31,6% das despesas correntes do conjunto do setor privado, ainda de acordo com os dados do INE.

O subsistema de saúde dos funcionários públicos, a ADSE, é também importante: “6,6% da despesa corrente dos prestadores privados de saúde é paga pela ADSE”. As percentagens variam de acordo com os prestadores, mas no caso dos hospitais privados atinge os 19%. 

Outra forma de financiamento público são as deduções fiscais em IRS. Por último, uma outra forma referida são os fundos da Segurança Social, cerca de 4%. Mas aqui, explica o Jornal de Negócios, os fundos vão maioritariamente para as unidades residenciais de cuidados continuados, geralmente estabelecimentos que prestam cuidados de saúde mas também apoio social.

Termos relacionados Sociedade
(...)