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São precisos dez anos de salários para que famílias portuguesas comprem casa

Estudo da Comissão Europeia (CE) divulgado na sexta-feira conclui que as habitações em Portugal estão “potencialmente sobrevalorizadas”. A CE revela que, se todos os rendimentos mensais das famílias portuguesas fossem usados para pagar uma casa, seriam necessários cerca de dez anos até conseguirem comprar habitação própria.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

De acordo com o estudo, os “preços da habitação estão potencialmente sobrevalorizados” e, nos últimos cinco anos, o esforço necessário para pagar uma casa em Portugal tem vindo a aumentar. Entre 2013 e 2017, o número de anos necessários para uma família conseguir pagar a totalidade de uma casa subiu de perto de nove para os atuais dez anos. Portugal equipara-se a países como Itália ou Bélgica.

O documento apresenta não só dados de todos os estados-membros da União Europeia, como também de outros países, como os Estados Unidos, Rússia, Canadá ou Japão.

Nos EUA são necessários menos de quatro anos de salários para garantir a aquisição de uma casa. Em 2013 eram necessários apenas três. Já na Rússia é preciso reunir os rendimentos auferidos em mais de anos de salários para comprar casa. Hong Kong é um caso extremo, sendo que nem sequer foi possível inclui-lo na tabela, já que ali o metro quadrado está avaliado em mais de 30 mil euros.

Na maioria dos países analisados (75%) são necessários oito a 12 anos das famílias para adquirir uma habitação.

O estudo usou como referência uma casa de 100 metros quadrados e recorreu a milhares de anúncios de venda de casas publicados em portais de imobiliário, bem como, no caso de Portugal, aos números oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), chegando a um valor de referência para o metro quadrado no país de 1339 euros em 2017.

Preços das casas continuam a escalar

De acordo com os números oficiais do INE, os preços das casas em Portugal continuam a escalar. Conforme assinala o Dinheiro Vivo, o preço mediano do metro quadrado ascendeu a mais de mil euros no primeiro trimestre de 2019. Desde que o INE publica estes dados, é a primeira vez que tal acontece. Em todo o território nacional, os preços subiram 6,4% nos primeiros três meses do ano face ao período homólogo

Os concelhos do Porto e a Amadora lideraram o pódio, com aumentos de 22% em 12 meses.

 

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