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São precisas “soluções mais exigentes” para acabar com estagnação dos salários

Catarina defendeu que não nos podemos resignar a um país que tem serviços públicos cada vez mais frágeis ou a um país que nunca faz os investimentos necessários para ter uma economia qualificada, com emprego de qualidade.
Foto Esquerda.net.

À margem de uma visita à Delegação Regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a coordenadora nacional do Bloco alertou para a “necessidade de fazer escolhas sobre o país neste momento”.

“Temos uma crise pandémica que ainda não está ultrapassada, mas temos uma crise económica com salários que estão estagnados há décadas, com novas gerações muito qualificadas a quem só é oferecido o salário mínimo e a precariedade, ou mesmo a informalidade laboral”, sublinhou Catarina Martins.

De acordo com a dirigente bloquista, é preciso “qualificar o país” e “ser mais exigente”: “Não podemos resignar-nos a que um terço dos jovens sonhe em emigrar. E é para isso que vamos a eleições”, afirmou.

“As pessoas sabem que não está tudo bem. Mas sabem também que voltar para trás não é caminho. Sabem que a direita não é solução. A direita é a direita da especulação imobiliária, dos cortes nos salários e nas pensões, do clientelismo e da destruição dos serviços públicos”. Uma direita que, segundo Catarina Martins, não trará respostas ao país.

“Mas deixar que fique tudo na mesma também não responde”, assinalou a coordenadora do Bloco, reforçando que, “no dia 30 de janeiro, é, sobretudo, preciso que quem é exigente, quem não desiste de salários dignos, de pensões dignas, de serviços públicos que respondam por toda a gente em todo o território, quem não desiste de um território mais seguro que responda às alterações climáticas, quem não desiste de um país que seja capaz de produzir e de olhar para o futuro com confiança, vá votar”.

E, “se for votar, as soluções serão encontradas e o Bloco de Esquerda nunca faltará a soluções para um país melhor”, garantiu.

Para Catarina, “o que conta depois do dia 30 é qual é a maioria que existe no Parlamento e quais são os compromissos dos partidos”. E “o Bloco de Esquerda tem hoje a clareza que teve em 2015: uma direita que corta salários, pensões, que destrói serviços públicos, que humilha quem trabalha nunca será governo, e cada voto no Bloco de Esquerda previne um governo de direita”.

Mas um voto no Bloco “também significa que não encolhemos os ombros ao estado do país. Que não aceitamos que o salário não chegue para pagar a renda ou a prestação da casa. Que não aceitamos que os mais jovens não tenham futuro em Portugal. Que não aceitamos que seja cada vez mais difícil ter acesso à saúde ou que faltem tantos professores nas nossas escolas”, frisou a dirigente bloquista.

"O voto no Bloco de Esquerda será esse voto exigente para resolver os problemas, para não fazermos de conta que está tudo bem no país, porque não está. E eu acho que há tanta gente, mas tanta gente que não desiste de Portugal e que sabe que não podemos continuar a adiar as soluções que contam e será com a força de toda essa gente que no dia 30 vá votar e que assuma essa sua responsabilidade de criar soluções que aqui estaremos para no dia 31 as construir", continuou.

Catarina insistiu na questão da estagnação dos salários, enfatizando que “não podemos desistir desta ideia de que o salário médio não pode ser igual ao salário mínimo. E, para isso, é preciso mexer na lei laboral”.

“Porque se nós continuamos a dizer que o salário médio é igual ao salário mínimo estamos a dizer às pessoas que as suas qualificações, o seu esforço, a sua dedicação não valem nada. E estamos a dizer às novas gerações que a emigração é a única solução. E nós não desistimos de Portugal”, vincou.

Segundo a coordenadora do Bloco, “no dia seguinte, nada pode ficar na mesma porque temos de construir soluções mais exigentes, que deem futuro ao país”.

"E a ideia de que a esquerda poderia ser cúmplice da deterioração das condições de vida do país é uma ideia absurda e que toda a gente sabe que quem honra os seus compromissos, como o Bloco de Esquerda, não podia ser cúmplice dessa destruição. Nós aceitámos muitas vezes dar passos mais tímidos do que aqueles que tínhamos proposto, mas porque eram passos nalguma direção para resolver problemas. O que nós nunca aceitámos foi ficar parados a ignorar os problemas e a ver os problemas a agigantarem-se e a população viver cada vez com mais dificuldades", realçou.

Catarina alerta para falta de investimento na Região Autónoma dos Açores

Catarina Martins falou ainda sobre a "falta" de investimento na Região Autónoma dos Açores, referindo que o Bloco de Esquerda introduziu em orçamentos do estado "uma série de investimentos que depois não foram cumpridos".

“É o veto de gaveta do Ministro das Finanças que é uma gaveta muito grande e que as contratações, as autorizações para concursos não saem e também os investimentos que são sempre adiados, porque ficará melhor numa qualquer conta de défice de Bruxelas. O problema é que estes malabarismos de contas no imediato são prejudiciais para a economia a longo prazo", criticou.

Jessica Pacheco, enfermeira de 30 anos que será a primeira candidata da lista do Bloco de Esquerda à Assembleia da República pelo círculo eleitoral dos Açores, assinalou que, com esta visita ao IPMA, o Bloco quis “reforçar aquilo que há anos e décadas tem vindo a defender”, e que é “esta necessidade da instalação de uma rede de radares metereológicos”.

“Sem esta rede não temos a segurança e a proteção necessário para as nossas populações”, advertiu, apontando que o radar da Terceira não é suficiente.

Para a candidata bloquista, este sistema de “investimentos a gota a gota na região é inadmissível e tem de ser rapidamente alterado”.

Jessica Pacheco alertou para os impactos das alterações climáticas nos Açores, lembrando o caso do furacão Lourenço, que se traduziu em avultados “prejuízos a nível ambiental e financeiro”.

A ativista ambiental frisou que “precisamos de compromissos claros” e exortou o governo central a assumir o compromisso de financiamento de 85% do prejuízo causado pelo furacão.

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