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Sanders quer tirar a Joe Biden o seu bastião da Carolina do Sul

As primárias de sábado na Carolina do Sul são as últimas antes da “super terça-feira” de 3 de março. Depois de atrair a maioria do voto latino no Nevada, conseguirá Bernie convencer o eleitorado afroamericano Democrata da Carolina do Sul a apoiá-lo?
Bernie Sanders
Foto publicada na página de Bernie Sanders no Facebook.

Após o empate inicial no Iowa e as vitórias incontestadas no New Hampshire e Nevada, Bernie Sanders foi o “alvo a abater” no debate entre os principais candidatos realizado esta semana, o último antes da decisiva noite eleitoral em quinze estados, entre os quais a Califórnia e o Texas, que sozinhos elegem quase metade dos 1344 delegados em jogo esta terça-feira.

Antes disso, já este sábado Sanders enfrenta o maior teste junto do eleitorado afroamericano, que representa mais de metade dos eleitores Democratas da Carolina do Sul. Se há poucas semanas este estado era considerado um bastião seguro de Joe Biden — que tem o apoio das figuras mais influentes e aposta forte nos anúncios televisivos com imagens de arquivo ao lado do então presidente Barack Obama –, agora as previsões apontam para uma corrida mais disputada, da qual Bernie pode tirar vantagem.

Se em 2016 a sua campanha era organizada maioritariamente por pessoas fora do estado, o panorama deste ano é totalmente diferente. No último ano a campanha tem apostado no contacto direto com as pessoas - o próprio Sanders afirmou que já bateram a 200 mil portas — e a mais recente sondagem da Reuters/Ipsos veio alimentar a esperança do veterano senador do Vermont, ao colocá-lo pela primeira vez no topo das preferências do eleitorado afroamericano a nível nacional, com uma subida de sete pontos em duas semanas. Sanders ultrapassa Joe Biden, que cai dez pontos e vê assim em risco a hipótese de vitória retumbante de que necessita este sábado para ganhar confiança para a “super terça-feira” da próxima semana.

Vitória no Nevada é exemplo da viragem no apoio do eleitorado latino

Há quatro anos, houve quem apontasse como pontos fracos da campanha de Sanders o fraco apoio entre eleitores latinos e afroamericanos. As recentes primárias do Nevada mostraram que a campanha soube tirar lições disso. Segundo o New York Times, ao contrário de 2016, Sanders passou a falar em todos os comícios da sua experiência enquanto parte de uma família de imigrantes nos EUA, a par das bandeiras políticas que definem a sua campanha e são bem acolhidas pela comunidade latina, a começar com a universalização da saúde pública no plano “Medicare for All”. Curiosamente, um dos sindicatos mais poderosos — o Culinary Union que representa trabalhadores da hotelaria e dos casinos — decidiu não apoiar nenhum candidato e passou a campanha a atacar o “Medicare for All”, que na prática acabaria com o seguro de saúde privado dos sindicalizados. Mas essa oposição não surtiu efeito nas urnas, dado que os trabalhadores sindicalizados disseram preferir que os seus amigos e parentes possam também ter o mesmo tipo de regalias no acesso à saúde. E foi assim que nos sete caucus realizados na “Strip”, a longa avenida onde estão os maiores hotéis e casinos de Las Vegas, Sanders ganhou cinco, perdeu o sexto para Biden e empataram no sétimo.

Também aqui o contacto direto porta-a-porta foi fundamental para a campanha ganhar raízes no terreno, podendo gabar-se de ser a primeira a chegar a muitos bairros latinos de Las Vegas, tal como já tinha sido o primeiro candidato a defender a moratória às deportações de migrantes, outra bandeira muito popular. No dia das primárias, todos os registados como Democratas receberam telefonemas e sms da campanha, organizaram-se torneios de futebol com viagens grátis para os locais de votação, enquanto camiões com música cantada em espanhol corriam as ruas de Las Vegas apelando à participação.

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