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Sanders: “Controverso processo de destituição de Dilma mais parece um golpe de Estado”

Senador democrata criticou 'agenda social de extrema-direita' do governo Temer e disse que os EUA não podem ficar em silêncio enquanto a democracia no Brasil é atacada.Artigo do Opera Mundi.
Foto de Michael Vadon.

Bernie Sanders, senador por Vermont que foi pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, expressou na segunda-feira a sua “profunda preocupação” com o processo de impeachment contra a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e instou o governo dos EUA a posicionar-se claramente sobre a questão e “apoiar as famílias trabalhadoras do Brasil”.

Num comunicado divulgado no seu site oficial, Sanders afirma que “para muitos brasileiros e observadores o controverso processo de impeachment [contra Dilma] mais parece um golpe de Estado” e destaca a falta de diversidade no gabinete ministerial imposto pelo vice-presidente no exercício da Presidência, Michel Temer. “Eles [o governo interino] imediatamente substituíram uma administração diversa e representativa com um gabinete formado inteiramente por homens brancos”.

“A nova e não-eleita administração rapidamente anunciou planos de impor austeridade, aumentar as privatizações e instalar uma agenda social de extrema-direita”, afirmou Sanders, acrescentando que “os Estados Unidos não podem permanecer em silêncio enquanto as instituições democráticas de um dos nossos mais importantes aliados são atacadas”.

“Temos que apoiar as famílias trabalhadoras do Brasil e exigir que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas”, finaliza o senador democrata.

Procurado pelo Opera Mundi, o Itamaraty declarou que "não comenta a respeito de tais declarações".

Leia a seguir, na íntegra, o comunicado de Bernie Sanders:

“Estou profundamente preocupado com os atuais esforços para destituir a presidente democraticamente eleita do Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos brasileiros e observadores o controverso processo de impeachment mais parece um golpe de Estado.

Após suspender a primeira presidente mulher do Brasil com argumentos duvidosos, sem um mandato para governar, o novo governo interino extinguiu o ministério das mulheres, da igualdade racial e dos direitos humanos. Eles imediatamente substituíram uma administração diversa e representativa com um gabinete formado inteiramente por homens brancos. A nova e não-eleita administração rapidamente anunciou planos de impor austeridade, aumentar as privatizações e instalar uma agenda social de extrema-direita.

O esforço para destituir a presidente Rousseff não é um julgamento legal, mas sim político. Os Estados Unidos não podem permanecer em silêncio enquanto as instituições democráticas de um de nossos mais importantes aliados são atacadas. Temos que apoiar as famílias trabalhadoras do Brasil e exigir que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas.”

Artigo publicado no Opera Mundi.

* Título original do artigo: "Sanders se diz 'preocupado' com impeachment de Dilma e pede que EUA apoiem trabalhadores brasileiros"

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