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Sanders continua a lutar contra o establishment

Sanders notou que conquistou os jovens na maior parte dos EUA: eles reconhecem que o sistema precisa mudar. Kevin Gosztola, Common Dreams.
Bernie Sanders está a abalar o sistema político tradicional dos EUA.

"Essa luta continua”, declarou o candidato Democrata à presidência, Bernie Sanders, num discurso que concluiu a sua campanha nacional na Califórnia. Ele descreveu a luta como uma luta por justiça social, económica, racial e ambiental.

Sanders também notou que conquistou os jovens na maior parte dos Estados Unidos. Os jovens reconhecem que precisam moldar o futuro, e eles compartilham a visão da campanha de Sanders por um governo que trabalhe pelos cidadãos das classes mais baixas ao invés de ceder aos interesses das corporações e dos ricos.

As primárias não foram tão bem quanto esperavam os apoiantes de Sanders. A campanha ganhou decididamente no Dakota do Norte. Conseguiu uma vitória em Montana, mas a campanha perdeu no Dakota do Sul e no Novo México. Foi destruída em Nova Jersey. Sanders não ganhou na Califórnia, e há ampla evidência de irregularidades em massa nos locais de votação, o que deveria preocupar os californianos.

Manobras de intoxicação

É muito fácil para aqueles inspirados pela campanha de Sanders sentirem-se desmoralizados e impressionados pelo cinismo. A Associated Press e a NBC News anunciaram inapropriadamente que Hillary Clinton tinha conquistado a nomeação na véspera de um grande dia de primárias. Alan Fram da AP Washington enviou um email indicando que o veículo estava “arredondando superdelegados”, que é uma linguagem de campanha que os estrategistas podem usar mas não um jornalista. Uma imagem compartilhada por Clinton no Twitter para marcar a matéria da AP de que ela havia conquistado a nomeação foi criada no sábado e classificada como “Ganhadora Secreta”.

Independentes – como são conhecidos os eleitores sem preferência de partido (Non Party Preference, NPP) na Califórnia – apoiaram Sanders por 30 a 40 pontos a mais que Clinton. No entanto, houve pouca informação divulgada pelo Estado ou pelo campanha de Sanders garantindo que eleitores NPP eram aptos a navegar pelo processo na Califórnia. De 40% dos eleitores online que queriam votar num Democrata, somente 15% exigiu uma votação Democrata, de acordo com pesquisas de boca de urna do Politico Data.

O Los Angeles Times relatou que muitos eleitores californianos se depararam com “máquinas quebradas, locais de voto que abriram com atraso e registos eleitorais incompletos, particularmente em Los Angeles”. As pessoas que trabalhavam nos locais de votação distribuíram várias cédulas provisórias, que, normalmente, não são contadas. Esses eleitores, que sabiam que não deveriam aceitar cédulas provisórias e que deveriam exigir que seu voto fosse apurado, fizeram-no e por vezes conseguiam.

Mais uma vez, em estados como Nova Iorque e Arizona, houve muitas reclamações de supressão de eleitores na Califórnia. Some isso à comunicação social ajudando a campanha de Clinton a alcançar o “número mágico” de superdelegados para conseguir a nomeação, e não é surpresa que a maioria dos apoiantes de Sanders esteja indignada.

Teóricos da conspiração

A resposta de analistas e políticos do establishment, especialmente aqueles dentro do Partido Democrata, não é investigar, verificar ou confirmar as reclamações de irregularidades. Ao invés, os apoiantes de Sanders são patologizados como teóricos da conspiração que choram quando Clinton ganha um estado. Analistas e políticos sentem-se ofendidos quando apoiantes indicam que nunca irão unir-se com os Democratas e votar em Clinton.

Ainda assim, perante os média do establishment e o establishment político Democrata furioso com Sanders por se recusar a desistir, Sanders ganhou mais de 20 estados. Ele irá à Convenção Nacional Democrata em Filadélfia com mais ou menos 45% dos delegados, o que é incrivelmente impressionante para um político que se descreve como um socialista democrático. A sua campanha terá muito poder para frustrar e entravar políticos de corporações na celebração de quatro dias da elite Democrata patrocinada pelas corporações.

Uma campanha que já ficou entre os dígitos mais baixos cresceu nacionalmente como uma força poderosa que tinha o potencial de derrotar uma das mais poderosas famílias políticas nos Estados Unidos. Convenceu pessoas que as políticas sociais democratas – algumas das quais são radicais no sistema político dos EUA – poderiam vencer.

Protestos dos apoiantes de Sanders contra o sistema de superdelegados do Partido Democrata direcionou a atenção à forma como pessoas de dentro do partido podem sufocar uma campanha popular. Eles tornaram excepcionalmente difícil defender esse aspecto anti democrático da primárias presidenciais Democratas.

A capital Washington premiará 20 delegados comprometidos no dia 14 de junho e é a última primária. Ele planeia lutar por todos os votos que conseguir da capital.

Os pedidos para que Sanders pare a sua campanha têm sido contínuos nos média nos últimos meses, mesmo faltando 20 primárias no calendário

Os pedidos para que Sanders pare a sua campanha têm sido contínuos nos média nos últimos meses, mesmo faltando 20 primárias no calendário. Então, os apoiantes não deveriam levar os pedidos de hoje a sério.

Analistas do establishment  veêm somente a corrida em termos de vitória e derrota. A noção de que Sanders continuaria a sua campanha, mesmo se não puder ganhar, porque dá espaço a movimentos pela justiça social no país, é desconcertante para eles. É o tipo de coisa que faz com que os analistas do espectro político fiquem com o rosto vermelho enquanto escrevem no twitter.

Fazer mais e melhor

Ainda assim, como diz Sanders, “esse movimento é sobre milhões de pessoas de costa a costa olhando em seu redor e sabendo que podemos fazer mais e muito melhor por esta nação”. E, “quer Wall Street, a América corporativa, os financiadores ricos de campanha gostem, os média corporativos gostem ou não”, o dever dos cidadãos é “criar um governo que trabalhe para nós, não para o 1%”.

Para alcançar esse objetivo, para realizar uma visão maior de justiça social, económica, racial e ambiental, os milhões que apoiam a campanha de Sanders devem estar dispostos a travar uma longa e árdua batalha que será mais cansativa do que o processo de primárias. Eles devem ser desafiantes corajosos porque têm princípios e valores que não podem ser abandonados.

Artigo publicado no Carta Maior em 10 de junho de 2016.

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