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Sanções a Portugal são “uma chantagem e um ataque”

Catarina Martins defende que o processo de aplicação de sanções a Portugal por dé-fice excessivo é “arbitrário, discricionário, injusto e ilegítimo”, sendo “a prova de uma liderança europeia fraca e incapaz de resolver quaisquer dos problemas”.
Foto de Fernando Veludo, Lusa.

“Todo o processo de sanções que está a ser feito contra Portugal, contra a Espanha, contra Estados e Democracias é a prova de uma liderança europeia fraca e incapaz de resolver quaisquer dos problemas reais que a Europa tem, dos refugiados ao sistema financeiro, e que se distraem em encontrar novos problemas para se mostrar forte com as economias mais frágeis”, afirmou a coordenadora do Bloco durante um comício com o tema “O Bloco e as alternativas para Portugal”, que teve lugar esta sexta-feira no Porto.

“Quando tantos problemas tão grandes se abatem sobre a Europa, o que os responsáveis europeus fazem? Decidem sancionar dois países do sul da Europa por umas décimas da meta do incumprimento do défice”, acrescentou.

Lembrando que 24 dos 28 países Estados Membros já incumpriram regras do pacto de estabilidade e que nenhum processo de sanções foi aplicado, Catarina Martins sublinhou que o problema não é dos países, mas das regras.

"E sanções para a estupidez, não há?”, questionou, fazendo alusão a uma pergunta levantada pelo então eurodeputado do bloquista Miguel Portas em 2010, aquando da discussão destas regras.

Para a dirigente do Bloco, não é “aceitável” que por duas décimas um país sofra sanções e se abra, pela primeira vez, um processo inédito.

“O processo de sanções tem de ser encerrado porque nem à luz das ideias europeias este processo de sanções é defensável. Quando a França e a Alemanha estiveram em incumprimento grave no pacto de estabilidade suspendeu-se o pacto de estabilidade”, referiu.

Segundo Catarina Martins, as sanções “uma chantagem e um ataque”, que só servem para “piorar as coisas e aumentar os problemas”.

“A Comissão Europeia está a sancionar os resultados da política que a Comissão Europeia quis e que o PSD e o CDS levaram a cabo. O que está em causa são os anos de 2013 a 2015 e se alguém pode sancionar esses anos, anos de um enorme sofrimento e injustiça, é o povo português que já sancionou quando nas urnas retirou a maioria a PSD e CDS e os obrigou a ir para a oposição”, vincou.

Só a liberdade, igualdade e fraternidade se podem opor ao terror e ao absurdo

 A coordenadora do Bloco afirmou que há razões para “preocupações" depois de o “horror” do atentado em Nice, na França, e da situação na Turquia (ler artigo Golpe militar em curso na Turquia).

“Hoje é um dia difícil. Não se sabe muito bem o que está a acontecer na Turquia a esta hora, mas sabemos que temos razões para estar preocupados e sofremos ainda com o horror de ontem [quinta-feira] em Nice e sofremos, ao longo deste mês de julho, com o terror e as vitimas que se vêm acumulando”, apontou.

Para Catarina Martins, só a liberdade, igualdade e fraternidade se podem opor ao terror e ao absurdo.

A dirigente bloquista assinalou que ainda se “sabe pouco” do que está a acontecer na Turquia, tal como as razões do atentado em Nice, mas o “choque” já é muito.

“Sabemos que a vida em que acreditamos e aquela que defendemos é esta de poder estar na rua livremente e sem medo, por isso, sofremos quando vemos no mês de julho as famílias que foram mortas à bomba em Bagdad quando iam comer um gelado ou aquelas que foram mortas no Bangladesh num restaurante quando jantavam”, acrescentou.

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