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Salvini quer estudantes com traje obrigatório

O ministro do Interior da Itália, dirigente do partido de extrema-direita Liga, sugeriu o regresso da obrigatoriedade do uso de batas nas escolas. Pensa promover assim a “ordem e disciplina” num momento em que o seu partido é alvo de outras polémicas devidas às denúncias de corrupção.

A ideia de obrigar as crianças a usar uniforme evoca imediatamente os tempos de Mussolini. E Matteo Salvini sabe-o muito bem. Por isso antecipou-se à polémica: “sei que existirá quem grite aos sete ventos que faz lembrar o Duce [título que os fascistas usavam para se referir a Mussolini], mas, um país melhor constrói-se também com ordem e disciplina.” Palavras de ordem também elas simbólicas e que faziam parte do imaginário da Itália fascista.

Salvini acrescentou ainda motivos sociais para justificar este seu desejo: assim se evitaria que “crianças com uma camisola de 700 euros” e outras com roupa em terceira mão. Mas há quem não tenha ficado convencido. Enrico Rossi, o presidente de centro-esquerda da região Toscana, onde estas declarações foram proferidas, contrapôs que “o problema da igualdade e do acesso aos estudos não se resolve com a roupa”.

Também Antonello Giannelli, o presidente da associação nacional de diretores de escolas italianas, não ficou convencido sublinhando que “a emergência agora nas escolas é outra”, “os centros escolares têm de ser inspecionados para ver se o chão e os tetos não apresentam problemas, porque a cada semana cai alguma coisa”.

Salvini contra o 25 de abril

Ainda a semana passada outra polémica relacionada com o passado fascista envolveu o ministro do Interior italiano quando este se recusou a comemorar o 25 de abril, dia em que a Itália comemora a libertação da ocupação nazi.

Dessa vez, o argumento de Salvini foi que era apenas “um dérbi entre fascistas e comunistas”. Assim, nenhum dos ministros da Liga participou nas cerimónias de Estado comemorativas da data.

A Liga e as denúncias de corrupção

Mas as polémicas que têm envolvido a Liga não se limitam à sua relação com o fascismo. Recentemente, a corrupção tem sido o maior pesadelo da extrema-direita italiana: um dos homens de mão de Salvini, o vice-ministro de Transportes, Armando Siri, foi acusado de ter sido subornado através de um pagamento de 30 mil euros por parte de um empresário que queria incluir uma medida num pacote legislativo sobre energias renováveis.

Outros dirigentes da Liga estão na linha de fogo, acusados de corrupção. Uma investigação do semanário L'Espresso mostrou que três milhões de euros foram desviados das contas do partido e acabaram em contas de empresas ou dirigentes próximos de Matteo Salvini, o tesoureiro da Liga Giulio Centemero e Alberto Di Rubba e Andrea Manzoni são alguns dos acusados.

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