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Salvini não autoriza desembarque de 148 resgatados

Migrantes resgatados estão há uma semana num barco da guarda costeira italiana. Ministro do Interior diz defender o “modelo australiano” condenado pela ONU por “colocar vidas em risco intencionalmente”.
O navio-patrulha Diciotti está parado há dias num porto italiano com 148 migrantes a bordo. Foto Gaetano il marinaio/Flickr

O novo braço de ferro do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, com a política europeia de migrações, está a afetar 148 migrantes regatados em águas maltesas e atualmente a bordo do navio Diciotti, da guarda costeira italiana.

Apesar de 29 crianças terem sido autorizadas a desembarcar na noite de quarta-feira, os restantes só poderão pisar terra firme quando a UE tiver decidido quais os países que os irão acolher, ordenou Salvini, que lidera o partido de extrema-direita Liga Norte.

“O meu objetivo é a política australiana No Way”, afirmou Salvini na quinta-feira, citado pela agência Ansa. O governo australiano usa os seus navios patrulha para afastar os barcos com migrantes que chegam de vários países asiáticos, encaminhando-os para os campos de detenção em ilhas a norte da Austrália. Esta prática já foi condenada pelas Nações Unidas, após sucessivas denúncias de violações dos direitos humanos apresentadas contra as autoridades australianas.

O caso dos migrantes do Diciotti abriu brechas entre os partidos do governo, com o líder da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, do Movimento 5 Estrelas M5S, a defender o desembarque dos migrantes que estão há três dias no porto de Catania. Mas Salvini diz que a posição de Fico é contrária à do M5S, pelo que “é um problema que eles terão de resolver”.

Também o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, interveio a propósito deste braço de ferro para defender que ele só existe porque os estados-membros não aceitaram a proposta de reforma do Regulamento de Dublin, que define as responsabilidades dos estados europeus no acolhimento e agiliza todo o processo. A proposta foi aprovada no Parlamento Europeu, mas os países do Grupo de Visegrado — Hungria, Polónia, Reopública Checa e Eslováquia — têm bloqueado a proposta nas cimeiras entre governos. Para Tajani, estes países “devem enfrentar o problema… ou sofrerem sanções” pelo bloqueio.

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