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Salários em Portugal estão 4% mais baixos do que há uma década

De acordo com a Confederação Europeia de Sindicatos (CES), os pacotes salariais dos trabalhadores de seis Estados-membros, entre os quais Portugal, são em média mais baixos do que há 10 anos.
Portugal continua a ter dos salários médios mais baixos da União Europeia. Foto de Paulete Matos.
Portugal continua a ter dos salários médios mais baixos da União Europeia. Foto de Paulete Matos.

Na segunda-feira, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) assinalou que, de acordo com os dados compilados pela organização, entre 2010 e 2019 os pacotes salariais ajustados à inflação, e incluindo contribuições para a Segurança Social e pagamentos de subsídios, desceram em média em seis Estados-membros, entre os quais Portugal. Em três outros países, os salários mantiveram-se praticamente congelados nos últimos dez anos.

Conforme avançou a CES, face a 2010, os pacotes salariais em 2019 eram 15% mais baixos na Grécia, 7% em Chipre, 5% na Croácia, 4% em Portugal e Espanha e 2% em Itália.

"Os trabalhadores em seis países da União Europeia (UE) estão em piores condições do que há 10 anos. Os líderes da UE [União Europeia] gostam de falar na alegada retoma, mas a crise não acabou para milhões de trabalhadores em muitos Estados-membros", destacou a secretária-geral adjunta da CES, citada pela agência Lusa.

Esther Lunch exortou a UE a "fazer muito mais para promover o aumento nos salários e nos salários mínimos" praticados na União.

Entre 2014 e 2019, o salário mínimo em Portugal cresceu 23.7% em termos nominais e 17.9% em termos reais, o correspondente a aumentos anuais de 5.5% e 4.2%, respetivamente. Já os salários médios nominais aumentaram em média no mesmo período 1.44% ao ano, um aumento real anual de 0.55%. Ainda que o acordo à esquerda firmado em 2015 tenha permitido seguir uma via de recuperação de rendimentos, e garantido uma trajetória para o salário mínimo nacional no programa de governo, continuamos a ter dos salários médios mais baixos da União Europeia. Para que o aumento consistente dos salários médios se concretize, são necessárias alterações à legislação laboral: é preciso ter uma contratação coletiva mais forte e acabar com as medidas legislativas que foram colocadas no Código de Trabalho no tempo da troika.

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