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“Saída do Procedimento por Défice Excessivo não vai travar pressão de Bruxelas”

Comentando a melhoria da perspetiva da agência de notação Fitch sobre a dívida portuguesa, Marisa Matias lamentou que as economias continuem dependentes da suposta credibilidade das agências de rating.
Marisa Matias esta sexta-feira na TVI

“Diria que é uma notícia ‘infelizmente positiva’, porque infelizmente ainda  continuamos a depender dessas notações como se tivessem algum rigor, e infelizmente também porque elas acabam por influenciar a economia”, afirmou Marisa Matias esta sexta-feira na TVI, a propósito do anúncio da agência de notação Fitch, que passou de "estável" para "positiva" a perspetiva sobre a avaliação da dívida pública portuguesa, atualmente ao nível de "lixo".

“Estas agências não são inocentes nos processos que vivemos nos últimos anos”, referiu Marisa, dando o exemplo das notas muito positivas ao Lehman Brothers na véspera do colapso do banco, ou da sua intervenção na crise da dívida na Grécia.

Sobre a revisão em alta da perspetiva sobre a dívida pública portuguesa, Marisa Matias não ficou surpreendida. “Se há indicadores novos e mais positivos na economia, estranho seria que as notas ou a perspetiva sobre essas notas não se alterasse”, afirmou.

“Saída do Procedimento por Défice Excessivo não vai travar pressão de Bruxelas”

Comentando a decisão tomada no Ecofin para retirar Portugal dos países sob Procedimento por Défice Excessivo, Marisa começou por lembrar que “desde 2000, Portugal esteve sempre debaixo do procedimento de défice excessivo, à exceção de 2005 e 2008”.

“A saída significa teoricamente uma menor pressão das instituições europeias e maior margem para investimento e para a gestão desse investimento. Mas tenho dúvidas de que signifique isso tudo. Oito anos em Bruxelas dão para conhecer a casa por dentro e acho que não é por sairmos do procedimento por défice excessivo que vamos deixar de ter pressão das instituições europeias”, prevê Marisa Matias, defendendo que a Europa precisa da “restruturação da dívida, não só de Portugal como de outros países do Sul da Europa”.

 

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