Na passada quinta-feira, ao mesmo tempo que anunciava um acordo com a ANA, mediado pelo governo, para manter a sua base em Faro baixando as taxas aeroportuárias, a Ryanair assumia que ia despedir dezenas de trabalhadores. Culpava então a Boeing MAX por atrasos na entrega de aviões e já então dizia que os despedimentos poderiam ser reduzidos de 80 para 50 se alguns dos trabalhadores aceitassem a transferência para outros países.
Desta feita, a Ryanair lança as culpas para a falência da empresa de turismo Thomas Cook. Numa nota enviada aos pilotos, citada pela Lusa, a transportadora aérea invoca “um excedente significativo de pilotos que tem de ser reduzido este inverno” no aeroporto de Lisboa para os pressionar a pedir transferência para outras bases do grupo, a pedir licenças sem vencimento ou a ir para outras empresas do grupo como a Buzz e a Laudamotion.
No documento, datado de 24 de setembro, pode ler-se: “esperamos sinceramente que o excedente em Lisboa possa ser resolvido com transferências para outras bases ou com licenças sem vencimento voluntárias. Assim podíamos evitar a perda de empregos neste inverno.”
É neste contexto que o “colapso do operador britânico Thomas Cook” é chamado à colação para lançar números alarmantes: “perder-se-ão 9.000 empregos no Reino Unido e potencialmente cerca de 13.000 empregos em toda a Europa”.
Antes deste anúncio e do colapso da empresa turística britânica, a Ryanair tinha anunciado o abandonado da ligação entre o Porto e Lisboa a partir de 25 de outubro “por razões comerciais”.