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Rui Simões filma em Moçambique para não ser “riscado do mapa”

O cineasta está a trabalhar em três novos filmes, um sobre a Casa dos Estudantes do Império, e outros dois em co-produção com o moçambicano Sol de Carvalho e com o angolano Zezé Gamboa.
"Não altero os meus filmes porque não embarco na lógica da rentabilidade imediata", diz Rui Simões.

Durante uma vista a Maputo destinada a apresentar cinco obras da sua autoria o realizador português afirmou à agência Lusa ser provável que Moçambique “se torne mais importante na sua vida do que outro lugar porque é imprescindível abrir novos mundos antes de ser riscado do mapa.”

Além da mostra  que se chama "Cruzamentos Cinematográficos", Rui Simões trabalha ainda na  sua obra "A Casa", relacionada com antigos estudantes da Casa dos Estudantes do Império, que comemora 50 anos, e por onde passaram alguns africanos que se opuseram ao colonialismo português.

"Aproveitei para entrevistar individualidades que passaram pela Casa dos Estudantes do Império e que foram grandes dirigentes de Moçambique e assim farei noutros países, tentando enriquecer essa Casa pela qual tenho um carinho especial", sublinhou o cineasta.

Além deste projeto, Rui Simões trabalha ainda ainda com Sol de Carvalho em dois projetos em Moçambique; aquele que se encontra em fase mais adiantada é um filme do angolano Zezé Gamboa, cujo financiamento para a preparação e escrita já está garantido.

“Este filme, referiu, remete-nos para um universo marcado pelas inseguranças e incompreensões que, muitas vezes, marcam o relacionamento entre as pessoas e tem como protagonistas dois atores franceses.”

Já o filme de Sol de Carvalho encontra-se ainda em fase de discussão e deverá abordar a guerra, não a luta anticolonial ou a guerra após a independência, mas a problemática relacionada com os traumas dos ex-combatentes e os obstáculos à sua reinserção na sociedade.

Rui Simões apresentou ainda em  Maputo e Inhambane os seus filmes "Bom Povo Português", "Ole António Ole", "Ilha da Cova da Moura", "Kola San Jon é Festa di Kau Berdi" e "Guerra ou Paz".

Para o realizador, o cinema está a atravessar um momento "crítico" e por isso os seus filmes têm dificuldades em encontrar espaços onde possam ser exibidos uma vez que são escolhidos os filmes  que conseguem ser "rentáveis em pouco tempo."

"Por isso é  necessário inventar outros canais porque não quero alterar os meus filmes ou render-me a facilidades", referiu Rui Simões.

"O  cinema mudou muito mas queremos que os nossos filmes sejam vistos; isso implica que tenhamos de fazer alguma coisa por eles", afirmou ainda o realizador, que espera dar continuidade a estes Cruzamentos Cinematográficos já em março do próximo ano, levando até  Moçambique filmes de cinco realizadores com produção de sua autoria.

De acordo com Rui Simões o  objetivo é levar este projeto a outros lugares, a começar por Portugal, havendo também a ideia de o apresentar em Angola, Goa e Brasil, englobando obras de autores portugueses e brasileiros.

"É uma forma diferente de exibição, para forçar  o mercado que não faz nada por nós, porque não estamos nem na praça, nem na rua", disse Rui Simões.

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