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RTP: Conselho de Opinião chumba Joaquim Vieira

Indicado pela administração da RTP para o cargo de Provedor do Ouvinte, o nome de Joaquim Vieira foi chumbado por grande maioria pelo Conselho de Opinião.
Joaquim Vieira
Joaquim Vieira no programa semanal de comentário na RTP3.

Por convite de Nuno Artur Silva, Joaquim Vieira foi indicado pelo Conselho de Administração para o cargo de Provedor do Ouvinte. Sabe o esquerda.net que os principais pontos de crítica que levaram o Conselho de Opinião a chumbar Joaquim Vieira com 21 votos contra (5 a favor e 3 votos em branco), prendem-se primeiro com o relativo desconhecimento sobre rádio de Joaquim Vieira, que sempre trabalhou em programação televisiva na RTP (entre 1996 e 1998 com Nuno Artur Silva como assessor criativo), com o facto de a RTP ser a maior cliente da Nanook, Lda., produtora de conteúdos detida pelo próprio Joaquim Vieira, e ainda com o risco de incompatibilidade com as funções que exerce no Observatório de Imprensa.

A “Deficientofobia”

As opiniões pessoais publicadas pelo próprio no facebook sobre os Jogos Paralímpicos contribuíram também para este chumbo. Escrevia Joaquim Vieira em setembro que «os Jogos Paralímpicos são um espetáculo grotesco, um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas para preencher a agenda do politicamente correcto?», uma opinião “grotesca” segundo o deputado bloquista Jorge Falcato e que gerou fortes críticas na rede social e na comunicação social em Portugal e no Brasil. Em resposta, Joaquim Vieira reforçou novamente a sua opinião: «(…) Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana (ou espécie humana, como preferem os puristas), homens e mulheres em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Condescendentes e paternalistas, os Jogos Paralímpicos criam nos seus participantes a ideia de quem podem ser campeões (ou como os campeões) olímpicos. Não podem. Lamento desiludir muita gente…» Jorge Falcato resumiu: “Existe o racismo, a homofobia e a “deficientofobia””, e aconselhou Joaquim Vieira a visitar uma publicação de atletas paralímpicos que posaram nus para combater estereótipos. Também David Rodrigues, no Jornal Público, reagiu à opinião de Joaquim Vieira de forma didática num artigo com o título “Paralímpicos, para totós”, considerando que «Recentemente, um jornalista português referiu-se aos JP com um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”. Não custa imaginar o desconforto destas pessoas ao ver um cego jogar futebol, ao ver um atleta com paralisia cerebral a jogar Boccia, ao ver um amputado de membro inferior a saltar em altura. Imagino o desconforto, mas não posso igualmente de deixar de imaginar a enorme ignorância e desumanidade que estas declarações demonstram.

O Conselho de Opinião tem, nesta matéria, parecer vinculativo sobre as nomeações do Conselho de Administração da RTP para os cargos de Provedores do Ouvinte e do Telespetador. Poder que já usou chumbando a nomeação de Felizbella Lopes para Provedor do Ouvinte em 2010.

A produtora de Joaquim Vieira não tem portal próprio mas, segundo a sua página de facebook, é possível atestar que foi criada em 1999, logo após Joaquim Vieira sair da direção de programas da RTP, com uma participação de capital de 27% da NBP (hoje Plural) adquirida posteriormente pela Media Capital, 23% de Júlia Pinheiro e a mesma quota por parte de Felícia Cabrita. Júlia Pinheiro e Media Capital venderam a sua participação a Joaquim Vieira em 2010, que hoje detém 77% da empresa. É possível verificar que quase todos os produtos apresentados pela Nanook na sua página de facebook foram criados para a RTP. No entanto, dado que as aquisições nas áreas de produção, programas e informação não é regulada pelo Código dos Contratos Públicos, não existem referências nem no vortalGov – portal de compras da RTP – nem no Portal Base.

O Conselho de Opinião pronunciou-se também sobre a indicação de Jorge Wemans para Provedor do Telespetador, que foi aprovado com 14 votos a favor, 11 contra e 3 brancos.

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