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RTP: Conselheiros contestam chumbo de João Paulo Guerra

A votação que chumbou o nome proposto para Provedor do Ouvinte da RTP está a ser contestada por vários membros do Conselho de Opinião da empresa, que denunciam a ausência de fundamentação para o veto a João Paulo Guerra.
João Paulo Guerra
João Paulo Guerra.

A proposta do nome de João Paulo Guerra para Provedor do Ouvinte surgiu após o chumbo do nome de Joaquim Vieira na votação do Conselho de Opinião em novembro passado. Na altura, as razões apontadas para o chumbo defendidas na reunião foram a falta de experiência em rádio e as ligações de Vieira a empresas que produzem conteúdos para a RTP.

Na semana passada, os conselheiros voltaram a reunir-se e questionaram o novo candidato a Provedor do Ouvinte, com uma carreira de muitas décadas que o tornaram uma referência na rádio em Portugal. No espaço de debate, não foi ouvida nenhuma crítica à escolha de João Paulo Guerra, mas o resultado da votação secreta acabou por chumbar o seu nome por 15 votos contra, 12 a favor e um voto em branco.

Apesar de não ser a primeira vez que um nome é chumbado pelo Conselho, “nunca – fosse qual fosse a nossa posição – nos sucedeu não sabermos explicar qual o motivo pelo qual um/a candidato/a fora rejeitado/a ou aceite pela maioria dos Conselheiros”, diz a carta assinada por Diana Andringa, Fernando Correia e Maria Emília Brederode Santos, eleitos pela aquele conselho pela Assembleia da República. “Podemos apenas explicar o nosso voto, favorável ao candidato, por acharmos que cumpria todos os requisitos estatutários e fizera prova abundante dos conhecimentos que o habilitavam para o cargo”, acrescentam.

Na carta enviada ao presidente do Conselho de Opinião da RTP, estes conselheiros consideram “não estarem reunidas as condições exigidas pela alínea 5 do Artigo 34º dos Estatutos da RTP para parecer desfavorável do Conselho de Opinião, a saber, que seja “devidamente fundamentado no não preenchimento dos requisitos previstos no n.º 1”, exigindo esses requisitos serem “personalidades de reconhecido mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal, cuja atividade nos últimos cinco anos tenha sido exercida na área da comunicação”.

A contestação ganhou alcance nas redes sociais, com uma página no Facebook que tem recolhido testemunhos de profissionais da comunicação em defesa do nome de João Paulo Guerra para Provedor do Ouvinte e a contestar a decisão tomada sem fundamento conhecido. Entre eles estão os anteriores Provedores do Ouvinte da RTP Adelino Gomes e Mário Figueiredo.

Um dos testemunhos publicados é do deputado do Bloco de Esquerda Jorge Campos, que também questiona as razões do chumbo de “um dos nomes de referência do jornalismo em Portugal” para Provedor do Ouvinte da RTP. “Mandam as regras que seja dada uma justificação. Não houve justificação. e, neste caso, dado o perfil irrepreensível do jornalista proposto, só pode concluir-se que a maioria dos conselheiros sabe o que mais ninguém sabe”. Por isso, acrescenta o deputado independente eleito pelo Bloco, “tenham paciência, por ser uma questão de interesse público, o Conselho de Opinião da RTP deve mesmo uma explicação. Urgente."
 

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