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Roupa: uma necessidade da vida, um problema ambiental

Portugueses deitam para o lixo mais de 200 mil toneladas de roupa por ano. Por todo o mundo, as peças de roupa duram cada vez menos tempo desde há quatro décadas, substituídas numa rotação rápida que constitui um problema ambiental.
Mission-Mill-8. Foto de Glen Bedsoe/Flickr.
Foto de Glen Bedsoe/Flickr.

Por ano, produz-se em todo o mundo mais de cem mil milhões de peças de roupa. Se por absurdo todas as pessoas no planeta as recebessem por igual, daria mais de 13 peças para cada uma. Sendo a roupa uma necessidade da vida, uma produção nesta escala seria sempre um desafio de sustentabilidade ambiental. Mas ele torna-se um problema maior devido às dinâmicas de mercado da indústria da moda.

Segundo a Greenpeace, desde os anos 80 a indústria da moda tem acelerado a rotação das coleções e dos produtos, de forma que já em 2002 o tempo de vida útil das peças de roupa era metade do que era em 1992. Essa tendência continuou até hoje, com o domínio crescente de grandes cadeias de moda rápida como a Zara e a H&M. Na atualidade, a Greenpeace estima que cada pessoa compra em média mais 60% de peças de roupa do que comprava em 2000, e estas só duram metade do tempo antes de ser deitadas ao lixo. O têxtil constitui assim um setor de enorme impacto ambiental, não só na produção, mas ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos.

Em Portugal, mais de 200 mil toneladas de têxteis foram parar ao lixo em 2017, seguindo daí para o aterro, a incineração, e em alguns casos o reaproveitamento dos resíduos para combustível, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente citados pelo Diário de Notícias. Dividindo em números redondos pela população, são cerca de 20 quilos por cada português e portuguesa, que representam cerca de 4% do total de resíduos do país.

São números que dão que pensar, mesmo considerando que há mais roupa a ser recolhida para reutilização que a ir parar ao lixo. Apesar de não haver dados oficiais sobre o total de roupa recolhida nos contentores de reutilização que se vêem por muitas cidades, Carmen Lima da Quercus afirmou ao DN que este será "francamente superior ao que vai para ao aterro".

O aumento das preocupações ambientais por todo o mundo tem alterado aos poucos os comportamentos dos consumidores e por arrasto das empresas de moda, que têm lançado campanhas de reciclagem como forma de projetar uma boa imagem. A H&M fê-lo em 2013, a Zara em 2016.

No entanto, uma solução efetiva do problema terá de advir de um aumento substancial da durabilidade da roupa que todos usamos, que diminuiria a necessidade de se produzir tanto — menos roupa, mais duradoura. Só que isso significaria menos receitas para as grandes empresas e para todo o setor da moda. A luta ambiental enfrenta uma dura batalha para transformar esse objetivo em realidade.

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