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Ronald McDonald já não sorri

Um estudo sobre a multinacional de fast food conclui que a rede está perante os seus “últimos dias”. Pela primeira vez desde 1970 reduzirá o número de restaurantes. Um artigo de Daniel Cabezas.
Foto de Alexis Mialaret/Flickr

O McDonald’s vive dias de azar. Essa é a principal e surpreendente conclusão de um estudo realizado pelo analista japonês Mark Kalinowski sobre a situação que vive a multinacional de fast food mais famosa do planeta. Na pesquisa, o autor afirma que a cadeia se encontra numa situação de “profunda depressão” e, inclusive, que está perante os seus “últimos dias”.

O estudo foi publicado na edição on-line do diário britânico The Independent e centra-se na situação dos franchises nos Estados Unidos. O investigador entrevistou gerentes de 229 restaurantes. Muitos deles apontaram directamente Steve Easterbrook, diretor da companhia desde o passado mês de março, como responsável directo pela má gestão. “O novo CEO está a semear as sementes de nosso desaparecimento”, declarou um dos gerentes.

Entre os principais erros que, segundo os encarregados dos restaurantes, Easterbrook cometeu, está a introdução de pequenos almoços ao longo de todo o dia nos Estados Unidos, a instalação de máquinas para pedidos electrónicos, a inclusão de mais produtos no menu e a nova opção ‘create your taste’ [“cria o teu sabor”], na qual os clientes podem personalizar seu hambúrguer escolhendo entre mais de 30 ingredientes. Tudo isso se está a converter, segundo os gerentes, num autêntico quebra cabeças para as lojas.

Tempos difíceis

O estudo de Kalinowski  não é a única má notícia para a multinacional todo poderosa. Esta semana veio a público que, pela primeira vez desde 1970, o McDonald’s está a  prever reduzir o número de restaurantes nos Estados Unidos. Durante os últimos sete trimestres, a venda de hambúrgueres do McDonald’s tem sofrido um constante decréscimo, que os peritos associam ao final da crise: a escassez de dinheiro parecia ser a motivação principal dos consumidores para irem a McDonald’s, o que, juntamente com a crescente preocupação dos norte americanos pela qualidade do que comem, tem feito cair as vendas.

Relativamente à qualidade, muitos recordam ainda o desacato de 2013 entre o McDonald’s e o chef britânico Jamie Oliver, que no seu programa televisivo assegurou que a multinacional borrifava as partes da carne não aptas para consumo com um agente antimicrobiano, o hidróxido de amónio, para as poder usar como matéria prima na preparação dos seus hambúrgueres. Muitos meios fizeram eco disso assegurando, como Oliver, que o agente era comparável ao amoníaco e, portanto, prejudicial para  o consumo humano. A realidade era bem diferente, já que o hidróxido de amónio é habitualmente utilizado na indústria alimentar há várias décadas, para tornar essa carne acessível e está regulado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). No entanto, a marca decidiu modificar a sua receita e deixar de o utilizar. Mais difícil de refutar foi outro facto denunciado por um cidadão norte americano, que em abril do mesmo ano de 2013 demonstrou que um hambúrguer do McDonald’s se conserva em perfeito estado, sem fungos, mofo, nem cheiro, durante 14 longos anos.

Artigo publicado a 20 de outubro de 2015 em La Marea.

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