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Revolta em Anderlecht após morte de jovem em perseguição policial

A polícia disparou projéteis contra manifestantes e houve uma centena de detidos no fim de semana. “Fugir de um controlo por medo de uma multa não devia nunca levar à morte”, dizem associações que propõem protesto simbólico.
Pintura de parede exigindo justiça para Adil. Bélgica, abril de 2020. Fonte: twitter.
Pintura de parede exigindo justiça para Adil. Bélgica, abril de 2020. Fonte: twitter.

Adil, um jovem de 19 anos, circulava com a sua scooter por Anderlecht na passada sexta-feira. Foi mandado parar por um controlo policial. Não parou e acabou por morrer na consequência de um embate com um carro de patrulha que o perseguia.

Nas redes sociais foram convocados protestos nas ruas. Justificando-se com o confinamento, a polícia procurou acabar com os ajuntamentos, tendo disparado projéteis contra os manifestantes, avança o jornal belga La Libre. Seguiram-se confrontos com vidros partidos numa esquadra, pelo menos um carro da polícia incendiado e uma arma da polícia foi levada deste veículo. Perto de uma centena de pessoas foi presa, 65 na noite de sábado, mais cerca de trinta no domingo.

Patrick Evenepoel, chefe de polícia de Bruxelas Central, anunciou no domingo, ao jornal Le Soir, que a situação está controlada, que o domingo não teve situações tão graves como a véspera e que o número de prisões ocorridas nesse dia ficou a dever-se ao facto da polícia ter passado a intervir ao mínimo ajuntamento de forma a prevenir desacatos. Segundo este responsável policial, no sábado “um cortejo pacifista deslocou-se do bairro Clémenceau até ao lugar do acidente. Mas quando houve lançamento de pedras tivemos de intervir. Hoje, mudámos de tática. Ocupámos diretamente o terreno a partir do momento em houve pequenos ajuntamentos de jovens.”

Justiça para Adil”

Um conjunto alargado de associações, entre as quais a La Nouvelle Voie Anticoloniale, o Legal Team Collective, o Quarantine Watch, Campagne Stop Répression, BePax, Bruxelles Panthères, Maison Arc en Ciel de Namur, Rainbow House Brussels, Femmes de Droit, Toestand, JOC Bruxelles e Collectif féministe Kahina propõe um protesto simbólico esta segunda-feira denominado “justiça para Adil”.

As associações lembram que “não é a primeira vez que jovens morrem em tais circunstâncias. Tememos que estas perseguições perigosas aumentem consideravelmente nas próximas semanas. Fugir de um controlo por medo de uma multa não devia nunca levar à morte.”

O sucedido relembra “o medo que a nossa polícia suscita” nos jovens, alegam. E fazem questão de expressar a sua “inquietude face aos abusos securitários que a crise sanitária não justifica.” Apesar de dizerem “compreender a cólera dos jovens”, juntam-se à “mensagem de paz” da família de Adil, convidando a população a fazer uma ronda de aplausos às 20 horas para manifestar solidariedade para com os mais próximos do jovem.

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