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Resultados finais: Marcelo é o Presidente eleito com menos votos

Síntese dos resultados oficiais das eleições presidenciais. Rebelo de Sousa é o presidente eleito com o menor número de votos, apenas ultrapassando os resultados das reeleições presidenciais.
Foto de António Cotrim/Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições presidenciais com 51.99% dos votos, Sampaio da Nóvoa ficou em segundo lugar com 22.90% dos votos. Marisa Matias obteve um inédito terceiro lugar, com 10.13% dos votos. Maria de Belém teve uma pesada derrota, recebendo 4.24% dos votos e Edgar Silva 3.95%. Os cinco candidatos menos votados obtiveram 6.8% dos votos e houve 1.24% de votos em branco e 0.93% de votos nulos.

Abstenção inédita em presidenciais em que não há recandidatura

A tendência em eleições presidenciais em que não há presidentes que se recandidatam, como foi o caso nestas eleições, é a de uma maior afluência às urnas. Desta vez registou-se o valor de abstenção mais elevado de sempre em eleições em que não há presidentes que se recandidatam. A Comissão Nacional de Eleições anunciou a participação de 37,69% dos eleitores até às 16h, contra 35,16% em 2011 e 45,56% em 2006. O valor final da abstenção foi de 51.16%. A participação aumentou ligeiramente face ao recorde de abstenção de 2011 (53.48%), mas manteve a tendência preocupante de decrescente participação, com uma abstenção muito superior à de 2006 (38.47%).

Nestas eleições, estavam inscritos 9.741.792 eleitores (segundo o INE, 9.439.510 eleitores estão registados Portugal continental e ilhas, a que se somam 302.282 nos consulados de todo o mundo). No entanto, os dados do Ministério da Administração Interna, revelados pelo jornal Público, indicam que há apenas 7,836 milhões de portugueses maiores de idade (tendo em conta os óbitos de 2015) residentes no país. Ou seja, à partida esta eleição tinha garantida uma taxa de abstenção de 17%.

Melhor e pior resultado de cada candidato

Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições presidenciais com 51.99% dos votos, dispensando, perante este resultado, uma segunda volta. Rebelo de Sousa é o presidente eleito pela primeira vez com o menor número de votos O candidato da direita venceu nos 18 distritos de Portugal Continental e nos Açores (58,07%) e na Madeira (51,35%). Teve o seu melhor resultado no distrito de Viseu (62,57%), e o pior em Beja (31,71%). Em Lisboa obteve 49,74% dos votos e no Porto 51,28%. Faltam apurar os resultados de 12 consulados, mas Marcelo Rebelo de Sousa foi claramente o candidato mais votado pelos residentes no estrangeiro, com 57,88% dos votos.

Sampaio da Nóvoa ultrapassou um milhão de eleitores e obteve 22.90% dos votos. O seu melhor resultado foi no distrito de Beja, com 31,47% dos votos e teve na Madeira o pior (11,27%). No arquipélago dos Açores, o antigo reitor da Universidade de Lisboa obteve 21,54% dos votos. Sampaio da Nóvoa teve em Lisboa 25,83% dos votos e no Porto 21,77%. Os resultados provisórios dos consulados dão a Sampaio da Nóvoa 18.93% dos votos.

Marisa Matias ficou em terceiro lugar, com 10.13% dos votos. A candidata apoiada pelo Bloco obteve mais de 468 mil votos, o melhor resultado registado por um candidato da área política do Bloco de Esquerda em eleições presidenciais. Este resultado coloca Marisa Matias na história também por ter ficado acima dos 419 mil votos de Maria de Lourdes Pintasilgo em 1986, tornando-se, assim, maior resultado obtido por uma mulher em eleições presidenciais. O seu melhor resultado foi no seu distrito de origem, em Coimbra, com 13,91% dos votos. Em Vila Real teve 6,78% dos votos, o seu pior resultado. Em Lisboa, Marisa Matias obteve 10,05% e no Porto 10,22%. Os votos de residentes no estrangeiro deram à eurodeputada bloquista 8,19% dos votos.

Maria de Belém obteve apenas 4.24% dos votos, tendo tido no distrito de Castelo Branco melhor resultado (5,18%) e no arquipélago da Madeira o pior (2,78%). Nos distritos de Lisboa e do Porto obteve, respetivamente, 4,49% e 4,53% dos votos. Os eleitores registados no estrangeiro deram 4,46% a Maria de Belém.

Edgar Silva, o candidato apoiado pelo PCP, teve 3.95% dos votos a nível nacional. Na sua região natal, a Madeira, obteve o seu melhor resultado, com 19,70% dos votos, enquanto que no distrito de Bragança  teve o pior, com 1,20%. Edgar Silva conquistou em Lisboa 4,02% dos votos e no Porto 2,49%. Relativamente aos votos em consulados, o candidato registou 4,01% dos votos.

“Esta candidatura foi buscar votos a vários sectores da sociedade, à direita e à esquerda, à abstenção e à desistência”

Marisa Matias afirmou que o resultado da sua candidatura “é uma expressão muito clara dessa onda de esperança que está a crescer no nosso país”, apesar do objetivo da segunda volta não ter sido atingido.

Questionada sobre o que correu mal, salientou que “não foi nesta candidatura que [algo] correu mal, aliás, penso mesmo que ficou claro que esta candidatura foi buscar votos a vários setores da sociedade, da direita à esquerda, e seguramente que foi buscar muitos votos à abstenção e à desistência”.

“Resultado de Marisa Matias dá mais força ao caminho contra a austeridade”

Para Catarina Martins, “a vitória da direita nestas eleições é uma derrota para a esquerda da qual devemos retirar lições”, considerando que “a ambiguidade não mobiliza ninguém e a desistência é sempre o pior dos caminhos. Nunca é o caminho do Bloco”, assegurou.

Apesar da não existência de uma segunda volta nesta presidenciais, identificado por Catarina Martins como o objetivo primeiro, dado que abriria “caminho à derrota do candidato da direita e vencedor pré-anunciado”, a porta-voz do Bloco sublinhou que existiam dois outros objetivos que foram alcançados, que passavam por falar das “questões essenciais do nosso tempo e que vão desafiar o Presidente da República nos próximos anos” e “ dar mais força ao caminho contra a austeridade e à defesa do nosso país que nós estamos a trilhar, e expressar a alternativa que a área do Bloco de Esquerda hoje representa no parlamento, como nos movimentos sociais”.

Para a porta-voz do Bloco, “depois das legislativas de outubro, estas eleições confirmam o que muitos não queriam perceber: que a determinação do Bloco mudou o mapa político em Portugal, que há um povo que quis começar a desmantelar a austeridade e que escolhe este espaço político para a luta e para a defesa de trabalhadores e reformados. O Bloco é a força fundamental para essa política de confiança”.

Eleições presidenciais: 15 anos com o Bloco

Em 2001 o Bloco de Esquerda apresentou-se pela primeira vez a eleições presidenciais, com a candidatura de Fernando Rosas. Nesse ano, o até então Presidente Jorge Sampaio, apoiado pelo PS, concorria à reeleição, que obteve com 55.55%. Contra ele candidataram-se Joaquim Ferreira do Amaral (34.68%), o candidato da direita, António Simões de Abreu (5.16%), com o apoio da CDU, Fernando Rosas (3%) e António Garcia Pereira, do MRPP. A abstenção, tal como é comum em anos em que presidentes se recandidatam, foi elevada, de 50.29%.

Cinco anos depois, em 2006, a abstenção foi muito inferior, 38.47%. Cavaco Silva venceu o seu primeiro mandato como Presidente, evitando por muito pouco, com 50.54%, uma segunda volta. No campo socialista, Manuel Alegre obteve 20.74% e o histórico Mário Soares teve 14.31% dos votos. Jerónimo de Sousa, secretário geral do PCP, foi o quarto candidato mais votado, com 8.64% dos votos. Francisco Louçã, o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, obteve 5.32% dos votos.

Nas eleições seguintes, em 2011, a abstenção obteve o valor histórico de 53.48%. Cavaco Silva candidatava-se à reeleição, que conseguiu com 52.95% dos votos. Manuel Alegre, candidato apoiado pelo PS e pelo Bloco, ficou em segundo lugar, com 19.74%. Fernando Nobre foi o terceiro candidato mais votado, com 14.07% e Francisco Lopes, candidato apoiado pela CDU obteve 7.14% dos votos.

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