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“A república será a casa de todos”, promete líder do novo governo catalão

A tomada de posse do novo governo da Catalunha homenageou os presos políticos e reafirmou o compromisso de avançar para um Estado independente. Em Madrid, Pedro Sánchez tornou-se o primeiro líder do governo a não usar a Bíblia na cerimónia de posse ante o rei espanhol.
O novo governo catalão tomou finalmente posse, quase seis meses após as eleições. Foto Generalitat.

O braço de ferro entre as autoridades políticas de Barcelona e Madrid sofreu algumas reviravoltas nas últimas semanas. Depois do veto de Rajoy à nomeação de  membros do governo presos preventivamente ou exilados na sequência da perseguição aos ex-governantes independentistas, Quim Torra optou por recuar e substituir os nomes em causa. Entretanto, em Madrid, Rajoy tornou-se no primeiro governante espanhol a cair no parlamento com uma moção de censura, avançando o socialista Pedro Sánchez para a liderança do governo.

Os novos ventos políticos ditaram que a tomada de posse do governo catalão, na manhã de sábado, antecipasse o fim da aplicação do artigo 155 que desde outubro retira autonomia às instituições catalãs. O presidente do governo, Quim Torra, desafiou o novo primeiro-ministro espanhol a sentar-se à mesa de uma negociação entre os dois governos.

O novo líder da Generalitat comprometeu-se a “avançar de acordo com o referendo de 1 de outubro” e a trabalhar por “um Estado inependente em forma de República”. Numa sala onde marcaram presença vários familiares dos ex-governantes presos e exilados, Quim Torra reafirmou que o anterior governo caiu devido a “um golpe contra a democracia” e considerou os presos e exilados como um “farol” para o seu governo e a maioria do povo catalão. Assegurando ter “um mandato republicano que tem de ser cumprido”, Torra prometeu ainda que “a república será a casa de todos”.

Pedro Sánchez faz juramento, mas dispensa Bíblia e crucifixo

Enquanto os governantes catalães tomavam posse em Barcelona, o líder do PSOE fazia a cerimónia de juramento das suas obrigações ante o rei espanhol Felipe VI. A curiosidade maior desta cerimónia de poucos minutos foi a escolha de Pedro Sánchez de dispensar a Bíblia e o crucifixo usados por todos os antecessores no cargo. Em alternativa, Sánchez usou um exemplar da Constituição.

Sánchez sucede a Mariano Rajoy na presidência do governo espanhol, na sequência da aprovação, esta sexta-feira, da moção de censura apresentada pelos socialistas, que teve o apoio dos deputados do Podemos e de partidos nacionalistas e independentistas bascos e catalães.

A primeira tarefa do novo primeiro-ministro será formar o seu governo, estando previsto o anúncio dos nomes e a tomada de posse ainda esta semana.

 

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