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Rendas altas aumentam incumprimento nos empréstimos ao consumo

Aumento das rendas está a colocar dificuldades a cada vez mais famílias, que deixam de conseguir pagar empréstimos ao consumo. Agências de intermediação de crédito estão a registar mais pedidos de ajuda de famílias endividadas.

As rendas nas cidades portuguesas estão a aumentar e a obrigar muitas famílias a mudar-se para as periferias, que também estão a encarecer, pelo que cada vez mais famílias estão a deixar de conseguir pagar créditos ao consumo e outros, noticia hoje o jornal Público.

O fenómeno está a verificar-se por duas vias. Por um lado, famílias que viviam nos centros das cidades estão a ser empurradas pelo aumento das rendas para a periferia, onde a sua chegada ajuda por sua vez a aumentar os preços na zona. Juntando a esse aumento despesas acrescidas em transportes e outros, a poupança para estas famílias acaba por ser menor que o esperado. Por outro lado, famílias de menores rendimentos que já viviam nas periferias também sofrem com os preços mais altos trazidos pelos recém-chegados, que desequilibram as suas contas.

A consequência é que estão a aumentar as famílias com dificuldades em pagar os seus empréstimos e que recorrem a agências de intermediação de crédito, que registam um aumento de casos. João Barbosa, da intermediária de crédito Reorganiza, afirma ao Público: "Tem-se verificado um aumento de pedidos de apoio de situações de maior fragilidade financeira, com incumprimento ou com dramas financeiros que emanam da subida do valor das rendas das casas".

A Reorganiza adiantou ao Público que recebe 600 a 700 pedidos de informação por mês, de quais "cerca 40% diz respeito a crédito à habitação (novo ou em dificuldades de pagamento), 35% à consolidação de créditos [habitação e consumo], 15% à renegociação de situações já em incumprimento". Nos créditos à habitação, as famílias têm mais rendimentos e qualificações e costumam ter dois ou três contratos em simultâneo, tipicamente o empréstimo principal do imóvel e outros empréstimos conexos, como obras. Já os créditos ao consumo concentram-se sobretudo nas classes mais desfavorecidas, com famílias a acumular seis e sete créditos.

É muito comum as famílias contraírem novos empréstimos para pagar empréstimos anteriores. É também comum, segundo afirma o responsável da Reorganiza, casos de "infidelidade financeira", em que apenas um dos cônjuges está ao corrente da real situação financeira e o resto da família só se apercebe quando já é tarde, com penhoras de vencimentos e bens.

Os créditos mais problemáticos, segundo João Barbosa, são os cartões de crédito, que "muitas vezes fazem com que o consumidor comece o mês já sem dinheiro na conta". Os meses em que as famílias mais procuram ajuda para fazer face a dificuldades de pagamento são "janeiro, fruto das resoluções de ano novo e do consumo mais agressivo no Natal, e setembro, pelos gastos das férias e início do ano escolar".

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