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Relatório acusa UE de estar prisioneira da indústria do gás

Em vez de investir nas energias renováveis para cumprir as metas climáticas, a Comissão Europeia está a servir os objetivos do poderoso lóbi da indústria do gás, acusa o relatório lançado pelo Corporate Europe Observatory e Ecologistas en Acción.
Capa do relatório lançado pelo Corporate Europe Observatory e Ecologistas en Acción.

O poder do lóbi da indústria do gás está a aprisionar a Europa na dependência de combustíveis fósseis nos próximos 50 anos, comprometendo as metas firmadas no Acordo de Paris. A conclusão é do relatório lançado esta semana em Espanha pelo Corporate Europe Observatory e a associação Ecologistas en Acción.

Ao promover o gás como um “combustível limpo” e complementar às energias renováveis, o lóbi desta indústria em Bruxelas está na realidade a afastar a Europa do combate às alterações climáticas. Os planos europeus para a energia passam pela concretização dos “Projetos de Interesse Comum”, com a construção de novos gasodutos para trazer mais gás do Azerbeijão e da Argélia e outros para aumentar a circulação de gás dentro da Europa, como o que está previsto ligar Portugal a Espanha, ameaçando a paisagem protegida do Alto Douro Vinhateiro.

Os autores do relatório dizem ainda que a construção de novas infraestruturas de armazenamento fazem pouco sentido numa altura em que as atuais se encontram a funcionar a menos de 25% da sua capacidade.

Um lóbi milionário e muitas portas giratórias dão gás ao incumprimento das metas climáticas

Para conseguir os seus objetivos, o lóbi do gás investiu mais de 100 milhões de euros no ano passado e deu emprego a mais de 1000 lobistas para influenciarem as decisões nos corredores de Bruxelas. Entre a promoção de eventos no Parlamento Europeu à contratação de ex-funcionários e responsáveis da burocracia europeia e dos estados membros, este lóbi junta também as grandes petrolíferas - que veem no gás o futuro do seu negócio e uma oportunidade de se apresentarem como amigas do ambiente – e tem sempre as portas da Comissão Europeia abertas. A prová-lo estão as 460 reuniões de alto nível, entre o fim de 2014 e agosto deste ano, em que os lóbistas puderam expor os seus conselhos aos comissários responsáveis pelo clima e energia na UE.

O relatório agora divulgado, em vésperas da realização da Conferência de Bona (COP23), propõe uma moratória aos projetos de novas infraestruturas para que se avalie a sua compatibilidade com as metas climáticas a que a Europa se comprometeu. E recomenda ainda o fim do acesso privilegiado da indústria do gás aos decisores políticos, tal como acontece em relação à indústria do tabaco  no que toca às políticas de saúde. Os apoios europeus a esta indústria devem ser mobilizados para as energias renováveis e uma transparência total do lóbi do gás junto das instituições europeias, que acabe com as “portas giratórias” ou a formação de grupos de peritos para a definição de política energética que incluem pessoas comprometidas com esta indústria.

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