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Refugiados são vítimas de “mitos e receios”, diz presidente do CPR

Desde a sua fundação, em 1991, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) prestou mais de 100 mil atendimentos a pessoas que foram obrigadas a fugir do seu país devido a guerras, perseguições ou violação dos direitos humanos.

Este apoio a centenas de milhares de cidadãos que solicitaram asilo em Portugal abrangeu várias áreas, nomeadamente jurídica e social tendo ainda sido complementado com aulas de Português e auxílio na procura de emprego, disse a presidente do CPR, Teresa Tito de Morais.

Aquela responsável adiantou que nos últimos três anos, os apoios cresceram muito devido ao aumento do número de pedidos de asilo, “mas o CPR esteve sempre aberto e presente na vida daqueles que pediram proteção a Portugal”.

No presente, “as coisas estão bastante diferentes, porque temos outros desafios pela frente e Portugal tem também compromissos para acolher vários refugiados”, no âmbito dos programas de recolocação e reinstalação, acrescentou.

Para Teresa Tito de Morais “o mundo está cada vez mais instável, com situações de intolerância, de falta de respeito com os direitos humanos, com conflitos armados generalizados que provocam centenas de milhares de vítimas e é uma imposição ética e moral que os Estados possam responder a esta exigência”

Mecanismos de solidariedade

Por essa razão avançou que “os desafios são imensos” por causa da “situação de instabilidade” que se vive no mundo, que origina um fluxo elevado de refugiados, mas também devido à necessidade de os países, particularmente europeus, criarem “mecanismos solidários”, políticas comuns de asilo para resolver este problema, disse à Lusa.

Em relação a Portugal, a presidente do CPR refere que está a construção um novo centro de acolhimento em Loures, porque as as instalações na Bobadela, para adultos e famílias, e o centro da criança refugiada, que tem neste momento cerca de 20 menores não acompanhados, “já são insuficientes” para responder a todas as solicitações.

Tito de Morais anunciou ainda que estão a ser celebrados protocolos com várias autarquias tende em vista “receber e acolher famílias e pessoas” da Síria, da Eritreia, do Iraque, do Afeganistão e do Sudão que estão em campos de refugiados na Turquia e no Egito, locais onde não podem permanecer por mais tempo.

No que diz respeito à sensibilização da opinião pública para a problemática dos refugiados, o CPR tem um conjunto de atividades como a realização de congressos e ações nas escolas.

“Eu penso que a opinião pública hoje esteja mais esclarecida, mas é um trabalho constante, que tem que ser feito com muita objetividade”, referiu, tendo acrescentado ser necessário desmitificar todos “os mitos e receios”, uma vez que há “há um contraste entre a vontade de ser solidário e o medo do desconhecido ou a eventual exposição de Portugal a redes terroristas”.

“É um trabalho constante”, sublinhou, tendo lembrando que há 25 anos, os dirigentes políticos “não se preocupavam minimamente” com esta população, porque “o problema da emigração tinha mais significado”, embora existam refugiados desde 1951.

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