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Refugiados rohingyas levados para ilha onde as inundações são frequentes

Serão cerca de mil os refugiados da etnia rohingya que serão deslocados para uma ilha do Bangladesh. Organizações de defesa dos direitos humanos avisam que o local é perigoso.
Refugiados rohingya.
Refugiados rohingya. Fotografia de United to End Genocide/Flickr.

O governo do Bangladesh parece ter encontrado uma solução para alojar alguns dos refugiados da etnia rohingya, que se encontram nos campos perto da fronteira com a Birmânia: enviá-los para a ilha de Bhasan Char.

Porém, esta fica localizada a muito baixa altitude, numa zona onde passam frequentemente ciclones e que acaba por ficar totalmente submersa, para além de estar a várias horas de barco do continente. Mas Daca diz que foram construídas barreiras de proteção para evitar as inundações.

No início de dezembro já foram deslocadas 1.642 pessoas rohingya para a ilha e nos próximos dias deverá ir outro grupo de cerca de 700 a mil refugiados - haverá, de acordo com os responsáveis citados pelo jornal Guardian, casa para cem mil pessoas. O Governo do Bangladesh afirma que a ida é voluntária, mas as organizações de defesa dos direitos humanos consideram que as pessoas não são informadas das condições climatéricas do espaço para onde aceitaram ir.

“Há alguns indícios de que as autoridades podem ter fornecido informações enganadoras e incentivos para que [as pessoas] se mudem para lá”, afirma a Human Rights Watch citada pelo jornal Público.

Também o enviado da Amnistia Internacional para o Sul da Ásia, Saad Hammadi, sublinha que poderá existir “falta de compreensão sobre as garantias de direitos humanos [na ilha], incluindo o acesso a cuidados de saúde e ao direito de liberdade de movimentos entre a ilha e Cox’s Bazar [no continente]”.

No passado mês de setembro, foram notícia as denúncias de um outro grupo de refugiados, que tinha sido deslocado para a mesma ilha em abril após tentarem fugir para a Malásia. Segundo estes, eram forçados a permanecer nas instalações contra a sua vontade, em condições próximas de uma prisão, e sujeitos a abusos sexuais e violações por parte dos guardas das instalações.

Desde 2017, cerca de um milhão de pessoas de etnia rohingya terão fugido do nordeste da Birmânia. Foi nesse ano que o Governo do país deu início a uma violenta repressão militar, naquilo em que a ONU já qualificou de “limpeza étnica”. Há inúmeros registos de massacres de civis e violência étnica promovida através das redes sociais, mas o Governo local afirma estar a combater uma organização terrorista.

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