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Refugiados: Grécia promete reagir com vetos aos muros na UE

O primeiro-ministro grego reagiu ao encontro dos países da “rota dos Balcãs”, que pretendem travar a entrada de refugiados a partir da Grécia. À entrada da cimeira dos ministros do Interior europeus, o representante grego diz que o seu país “não se tornará no Líbano da Europa”.
Foto União Europeia ©

“A Grécia não aceitará ações unilaterais. As ações unilaterais também podem ser aplicadas pela Grécia. A Grécia não se tornará no Líbano da Europa, um depósito de almas, mesmo que isso seja fortemente financiado”, afirmou esta quinta-feira o ministro do Interior grego à entrada da cimeira dos ministros europeus em Bruxelas. Com o encerramento da fronteira com a Antiga República Jugoslava da Macedónia aos migrantes afegãos, milhares de pessoas não têm forma de sair da Grécia e todos os dias chegam mais refugiados às ilhas gregas.

A semana ficou marcada pela reunião em Viena entre os governos da Áustria, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Eslovénia, Kosovo, Macedónia, Montenegro, Sérvia, os países da chamada “rota dos Balcãs”, para discutirem a crise dos refugiados. A Grécia foi excluída desta reunião, o que motivou o protesto diplomático de Atenas e críticas de Angela Merkel. Na reunião dos países da “rota dos Balcãs”, foi decidido dificultar ao máximo a entrada dos refugiados, fechando a porta aos afegãos e exigindo documentos aos restantes. A decisão foi tomada no dia seguinte ao Conselho Europeu ter garantido que não haveria lugar a ações unilaterais antes da próxima cimeira, marcada para 7 de março.

Num contacto telefónico feito esta quarta-feira entre o primeiro-ministro grego e a chanceler alemã, Tsipras reafirmou que a crise dos refugiados é um problema europeu e que não aceitará ações unilaterais, tendo Angela Merkel concordado em acelerar a implementação das decisões tomadas pelos 28 países e que ainda não saíram do papel. O programa de acolhimento desenhado pelos governos europeus mostrou ser um fracasso absoluto, com a maior parte dos países a nada fazerem para cumprir as quotas de refugiados decididas na cimeira de setembro.

No parlamento grego, Tsipras foi mais longe e ameaçou usar o poder de veto da Grécia nas decisões europeias, até que os restantes países cumpram o seu compromisso. "Se alguns pensam que podem erigir muros, devem saber que não o aceitaremos e que a Grécia vai reagir”, afirmou o primeiro-ministro grego. “Há quem não se aperceba que ou as regras comuns se aplicam a todos, ou simplesmente não existem. É vergonhoso que as decisões tomadas pelos chefes de Estado europeus sejam anuladas por alguns subgrupos”, acrescentou Alexis Tsipras, antes de anunciar que irá pedir um encontro dos líderes europeus antes da cimeira da UE com a Turquia para propor a execução obrigatória do programa de acolhimento de refugiados pelos Estados membros.

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