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Rede Europeia contra o Racismo alerta para aumento de ataques da extrema-direita em Portugal

A declaração subscrita por dezenas de organizações da sociedade civil e eurodeputados presta solidariedade com os ativistas portugueses “que trabalham incansavelmente para promover a justiça e desafiar o racismo”.
Concentração dia 1 de agosto de 2020 na avenida dos Aliados, no Porto

A declaração divulgada hoje dá conta do aumento, nos últimos meses, de episódios de racismo em Portugal, perpetrados por grupos ligados à extrema-direita. O texto sustenta que “desde 2019, quando o partido português de extrema-direita conquistou pela primeira vez lugares no parlamento, os ativistas de extrema-direita têm sido encorajados a cometer crimes de motivação racial contra pessoas de cor em Portugal”. Estas ameaças atingiram vários defensores dos direitos humanos e suas famílias, tendo alguns sido “pessoalmente visados e ameaçados, e enfrentado discursos de ódio, ameaças de morte, e assédio judicial”.

O texto refere vários episódios que aconteceram em Portugal durante o presente ano e afirma que “a brutalidade, o volume e a frequência dos ataques estão a aumentar e a deixar os ativistas inseguros, especialmente num contexto em que não se sentem protegidos pelas autoridades”, sustenta a plataforma, que apela por isso “urgentemente a uma resposta institucional por parte das autoridades portuguesas”.

A Rede Europeia Contra o Racismo, em conjunto com mais 88 organizações da sociedade civil e 16 deputados europeus, nos quais se incluem os dois deputados do Bloco de Esquerda, Marisa Matias e José Gusmão, afirmam a sua solidariedade para com os ativistas e exigem que as autoridades portuguesas conduzam “investigações policiais sólidas e eficazes e responsabilizar todos aqueles que incitam ao ódio e promovem a violência contra os defensores de direitos humanos através de um processo legal completo”.

Além das autoridades nacionais, a rede exorta também as instituições europeias a tomarem “medidas eficazes para assegurar que os defensores de direitos humanos são protegidos na Europa” e, dirigindo-se em particular à presidência alemã do Conselho da UE, pede que seja denunciado o aumento da violência racista e de ameaças contra ativistas na Europa e que seja colocada na agenda europeia “a ameaça da extrema-direita”.

O apelo termina com uma frase de Martin Luther King: “A injustiça em qualquer lado é uma ameaça à justiça em todo o lado”.

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