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Recuperação e desenvolvimento do SNS são “condição de democracia”

No primeiro comício virtual da campanha, Marisa Matias defendeu um contrato para a saúde que reconheça o direito universal a esta como aquilo que define o caminho a fazer perante as dificuldades, que seja claro na identificação dos problemas e que proponha soluções estruturais e duradouras para o SNS.
Marisa Matias no comício virtual feito a partir da Amadora.
Marisa Matias no comício virtual feito a partir da Amadora. Fotografia de Ana Mendes.

Naquele que foi o primeiro comício virtual na sua campanha à presidência da República, Marisa Matias apresentou a proposta de um contrato para a saúde, um compromisso que encare a recuperação e o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS)  “como condição de democracia”.

Numa candidatura que se afirma pela defesa e promoção do bem comum, a defesa de garantias constitucionais, como é o SNS, é parte fundamental da sua campanha e são função de uma Presidente da República, explicou.

Para Marisa, a crise sanitária vivida nos últimos meses “mostra-nos onde está a força do nosso país: na solidariedade e no cuidado, no profissionalismo e na humanidade”.

“A força do país é o que é comum, a começar pelo Serviço Nacional de Saúde. A democracia é o que é de toda a gente, é o que cuida de toda a gente. Essa força é o meu programa: a democracia é o é que de todos, para todos e por todos, não pode ser seletiva”, defendeu.

A candidata aponta o dedo aos “bloqueios e pressões” impostos sobre os serviços públicos, afirmando que vê  “com horror” a “parada de barões da medicina, acionistas de hospitais privados ou seus embaixadores” que tentam pressionar o governo “para receberem mundos e fundos por um serviço que, em tempos de pandemia, deveriam prestar a preço de custo e não como forma de fazer negócio” com um direito de todos. O elevado custo de serviços como exames nos privados, a visão do utente como cliente e os atrasos nas consultas e cirurgias tornam claro o “papel determinante do SNS nos próximos anos”.

“Não podemos esperar mais tempo. É o Serviço Nacional de Saúde que protege todos e todas, que nos faz respirar e faz respirar a democracia”, defendeu a atual eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda.

Contrato para a Saúde

Por esse motivo, apresentou a proposta de um contrato para a saúde, que descreve como sendo um "compromisso que reconhece a recuperação e o desenvolvimento do SNS como condição de democracia, que reconhece o direito universal à saúde como o que define o caminho que queremos fazer perante as dificuldades”, um documento que seja claro na identificação dos problemas e que proponha soluções estruturais e duradouras.

Como problemas apontou as atuais limitações às contratações de profissionais, a insuficiência orçamental, as áreas de oferta pública insuficiente, que vão da medicina dentária à saúde mental, deixadas à oferta privada e excluindo por isso muitas pessoas.

Já as soluções estruturais e duradouras passam pelo reforço do investimento público, o estímulo à dedicação plena dos profissionais do SNS e a valorização das carreiras dos profissionais de saúde.  

Ainda em matéria de saúde, a candidata voltou a salientar pontos de divergência com Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República.

Marcelo, lembra, bateu-se “pela manutenção das PPP”, recebeu o apoio de “quem enfraqueceu o SNS, em muitas dimensões, subordinando-o aos interesses privados. Eu recuso essa visão e sei que essa diferença é definidora nesta campanha”, concluiu.

A partir da Amadora, a candidata contou com a presença de Tiago Rodrigues, mandatário nacional da campanha, e do ex-secretário de Estado da Saúde Francisco Ramos, que declarou recentemente o seu apoio. Além das intervenções políticas, houve ainda uma participação musical do cantor e compositor Filipe Sambado.

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