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Reabilitação do edificado deixou eficiência energética para trás

Entre 2012 e 2016, Portugal foi o país da União Europeia que menos poupanças energéticas obteve nas intervenções em edifícios residenciais. “O Programa Edifícios Mais Sustentáveis tem uma linguagem demasiado técnica, confusa e burocrática que contribui para o desconhecimento das pessoas”, defende a associação Zero.
A associação considera igualmente essencial “uma mudança de paradigma no setor da construção”.
A associação considera igualmente essencial “uma mudança de paradigma no setor da construção”. Imagem de Paulete Matos, Esquerda.net.

O relatório da Comissão Europeia sobre os progressos dos Estados-membros na aplicação da diretiva europeia sobre desempenho energético dos edifícios conclui que, entre 2012 e 2016, Portugal foi o país da União Europeia que apresentou os níveis de poupança energética mais baixos nos edifícios residenciais.

Para a associação ambientalista Zero, os dados revelam que “a maior parte dos investimentos nacionais em renovação ocorreu em renovações médias e ligeiras, onde as taxas de poupança energética são menores, em detrimento dos investimentos em renovações profundas”.

Ao Público, Islene Façanha, da Zero, avalia que as intervenções são, na maioria, “pequenas modificações, como a mudança de uma janela ou porta, quando o ideal é que se avalie a estrutura inteira do imóvel e se faça uma alteração profunda”.

Em consequência, o impacto em termos de poupança de energia primária é particularmente reduzido. Segundo o relatório, o país “registou o nível mais baixo de poupanças energéticas nos três níveis de intervenção [ligeiro, médio, profundo]” nos edifícios residenciais.

Os resultados não melhoram no setor não residencial, onde se registam igualmente as taxas de poupança energética mais em casos de renovação ligeira e média e o segundo valor mais baixo em situações de renovação profunda, apenas atrás do Reino Unido.

A Zero advoga “intervenções verdadeiramente estruturantes” num parque habitacional com “um conjunto de problemas que afetam o desempenho energético dos edifícios” num “edificado obsoleto”.

A associação considera igualmente essencial “uma mudança de paradigma no setor da construção”, colocando o foco no “melhor desempenho energético, substituição dos combustíveis fósseis para energias renováveis e desenvolvimento de práticas sustentáveis e circulares em toda a sua cadeia de valor”.

A Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios, que o governo aprovou no início deste ano, estabelece metas para as décadas de 2030, 2040 e 2050. Até 2030, deverá ser renovada uma área de edificado de 363 680 502 m2, com uma energia primária na ordem dos 11% e uma redução de horas de desconforto na habitação de 26%.

Os fundos europeus inscritos no PRR incluem 300 milhões de euros para a eficiência energética em edifícios residenciais, mais 240 milhões para edifícios da administração pública central e outros 70 milhões para edifícios de serviços.

Mas não será suficiente anunciar verbas. “É preciso um esforço maior na comunicação”, garantindo a literacia e acessibilidade dos portugueses à informação dos programas disponíveis. “O Programa Edifícios Mais Sustentáveis tem uma linguagem demasiado técnica, confusa e burocrática que contribui para o desconhecimento das pessoas”, defendeu a associação.

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