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Ranking: FENPROF denuncia “forma abusiva" como escolas são catalogadas

De acordo com a FENPROF, “esta não é a forma de avaliar escolas, de traduzir o seu rendimento efetivo, de atestar o modo como preparam os seus alunos para a vida”. Joana Mortágua tece várias críticas aos exames nacionais, que acentuam as desigualdades.
Foto de Mário Cruz, agência Lusa.

De acordo com o ranking divulgado pelos media, os primeiros 27 lugares das escolas com melhores médias nos exames nacionais do secundário são ocupados por colégios privados, registando-se uma subida de cinco lugares das escolas públicas.

“Chegou a altura do ano em que se repete o ritual de simular que se procede, de forma séria, pretensamente científica, à avaliação das escolas portuguesas, a partir dos resultados dos seus alunos em exames”, escreve a FENPROF em comunicado, reagindo ao ranking publicado.

De acordo com a estrutura sindical, “a tentativa de credibilização do processo que envolve a divulgação pública de rankings de escolas a partir desses resultados tem levado a que os vários órgãos de comunicação social que entram neste jogo procurem contextualizar melhor as escolas em exposição e até procurar sentidos de progressão desses resultados, ano após ano”. 

Para a FENPROF, estamos perante “métodos que não concedem virtude ao que não a tem”, já que “esta não é a forma de avaliar escolas, de traduzir o seu rendimento efetivo, de atestar o modo como preparam os seus alunos para a vida”.

“Os resultados dos exames são apenas um de muitos indicadores que expressam a complexa realidade em que vivem as escolas portuguesas”, defende a Federação Nacional dos Professores.

A FENPROF “demarca-se mais uma vez desta divulgação, denunciando a forma abusiva como as escolas são catalogadas” em função do lugar relativo que ocupam no ranking, e denuncia a “a inutilidade da exibição, tão preconceituosa como falsa, das vantagens do ensino privado sobre o público”.

“Há quem se divirta com corridas de cavalos, mas isso não é educação”

Num artigo de opinião publicado no jornal Expresso, a deputada bloquista Joana Mortágua refere a notícia divulgada esta semana sobre o estudo que conclui que os exames nacionais acentuam as desigualdades sociais, e que são os estudantes das escolas mais bem posicionadas nos rankings que mais procuram centros de explicações.

Sendo a notícia recente, a “conclusão não é nova”, aponta Joana Mortágua, lembrando que a mesma “tem sido reiterada por várias investigações e até pelo relatório anual do Conselho Nacional de Educação (CNE)”.

No seu artigo, a deputada bloquista aponta vários problemas aos exames nacionais.

“O seu primeiro problema é a cegueira. Não querem saber se os alunos são filhos de imigrantes do Vale da Amoreira, se vivem em barracas sem luz na Trafaria ou se estudam num colégio fino. Classificam todos por igual”, sinaliza Joana Mortágua.

Segundo a dirigente do Bloco, “outro problema dos exames é a ignorância”, dado que os mesmos “são incapazes de avaliar quase tudo o que importa na educação”.

“O terceiro problema é o afunilamento”, acrescenta Joana Mortágua, destacando que, “como num túnel, a luz do sistema de ensino parece ser a média de acesso à universidade, terra de cegos onde os exames são rei”, sendo que “as disciplinas que não são submetidas a exame são desvalorizadas”.

Para a deputada, “os rankings são o subproduto deste sistema anacrónico de avaliação que serve mais para classificar do que melhorar as aprendizagens”.

Salientando que, “ao não mudar as políticas educativas o Ministério contribui desgraçadamente para a sua existência”, a deputada sublinha, contudo, que “é a imprensa quem os constrói e publica”.

“A sua inutilidade pedagógica é proporcional à propaganda gratuita que dá aos colégios privados”, afirma Joana Mortágua, rematando que “há quem se divirta com corridas de cavalos, mas isso não é educação”.

“Bom trabalho que se faz nas escolas vai muito além dos rankings

Questionado pelos jornalistas sobre os resultados dos exames nacionais, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, lembrou que “disse há um ano que não era adepto destas listas seriadas” e garantiu que continua a manter a sua opinião porque sabe que “o bom trabalho que se faz nas escolas vai muito além dos rankings”.

As “escolas públicas são muito mais do que as notas dos exames de fecho de ciclo", admitiu, adiantando que “são os exames, mas também todo o trabalho que se faz, todos os dias, em contextos socioculturais e económicos tão diferentes e que precisamos todos de valorizar".

"Todos sabemos a realidade que enfrenta, todos os dias, a nossa escola pública, de luta constante para que a equidade e o sucesso escolar aconteçam em cada um dos contextos socioeconómicos do país, independentemente, de estarmos numa aldeia do Alto Minho ou num bairro da grande Lisboa", referiu o ministro da Educação.

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