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Quercus exige tratamento eficaz de efluentes suinícolas na bacia do Lis

Associação ambientalista admite “estupefação” com as declarações do Ministro do Ambiente sobre a poluição na bacia hidrográfica do Lis e pede ações que promovam a sua despoluição. Bloco denuncia falta de “vontade política para resolver a situação”.
Foto de Ribeira dos Milagres/Facebook

A associação ambientalista Quercus emitiu um comunicado esta quinta-feira sobre as declarações que o Ministro do Ambiente fez na Assembleia da República na passada terça-feira, dia 13 de abril.

A associação mostrou “grande estupefação” com as palavras de José Matos Fernandes, que revelam “incapacidade” para resolver um “grave problema ambiental que se verifica na bacia do Lis”. O ministro declarou, na Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República, à qual teve de prestar esclarecimentos por iniciativa do Bloco de Esquerda, que não irá ser construída uma grande ETAR na região para tratar os efluentes suinícolas.

De acordo com as palavras do ministro, citadas na nota emitida pela associação, “A solução de uma grande ETAR [estação de tratamento de águas residuais] demonstra ser uma solução ineficiente, que vai obrigar a um investimento grande”, justificando que “(...) o problema não está no investimento, mas na garantia e no compromisso de quem produz efluentes de os levar a essa mesma ETAR, porque não existe uma rede de esgoto ”.

Em alternativa a esta solução, o ministro veio a admitir o “espalhamento” dos efluentes e, a seguir, “deve ser a digestão anaeróbia ou a compostagem”.

Para a Quercus, estas afirmações revelam “incapacidade de resolver um grave problema ambiental que se verifica na bacia do Lis, apontando como primeira solução o espalhamento de efluente”. Esta solução, diz a associação, “para além de não ser uma solução efetiva do problema dos efluentes suinícolas, irá constituir-se sim como um fator de agravamento do passivo ambiental que atualmente se verifica”.

O comunicado recorda que o espalhamento é uma técnica que “já atualmente é utilizada, não tendo resolvido o problema”. E a insistência do ministro nesta solução revela “alguma falta de rumo”, frisa a associação. A Quercus exige as melhores técnicas para resolver o problema da poluição nesta região, nomeadamente a construção de uma ETES (Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas), à qual se devem somar outras ações.

De acordo com os ambientalistas, estima-se que nos vários municípios que fazem parte da bacia hidrográfica do Lis existam mais de 500 suiniculturas, com um efetivo de mais de 300.000 cabeças, o que se traduz em cerca de 1.000 m3/dia de efluentes suinícolas.

Bloco denuncia falta de “vontade política para resolver a situação”.

O deputado do Bloco eleito pelo cículo de Leiria questionou o ministro do Ambiente sobre o abandono da construção da ETAR. Ricardo Vicente colocou dúvidas sobre o novo modelo proposto pelo governante, assente no espalhamento dos efluentes.

Uma nota publicada no Facebook da organização do Bloco em Leiria afirma que o Governo não respondeu ao essencial. “Onde estão os solos que têm capacidade para tal? E durante o inverno, momento em que os solos não podem receber os chorumes, para onde vão estes resíduos? Se o Governo diz que não consegue obrigar os suinicultores a entregar os chorumes em estações, como vai obrigar os produtores a criar soluções individuais que respeitem o ambiente?”

O deputado acusa o Governo de ter desistido de uma solução para o problema da poluição na bacia do Lis e relembrou que a Resilis, empresa dirigida por suinicultores da região, tem uma dívida de 1 milhão e 600 mil euros à empresa intermunicipal Águas do Centro Litoral e que são os munícipes de Leiria, Marinha Grande, Batalha e Porto de Mós, que estão a pagar os poucos tratamentos realizados (64 m3 diários de um universo entre 1000 e 2000m3).

A nota informa ainda que “a Secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, revelou que na Bacia Hidrográfica do Lis nenhuma suinicultura tem título de descarga em linha de água, de onde se pode depreender que, assim sendo, a maioria das suiniculturas estão ilegais, dada a prática comum”.

No final o Bloco/Leiria acusa o Governo de falta de “vontade política para resolver a situação”.

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