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Quercus critica decisão favorável à indústria no Glifosato

A Quercus afirmou que "já é tradição das agências europeias serem favoráveis à indústria", e não fazerem estudos próprios sobre o glifosato, herbicida que agora classificam como não cancerígeno, ao contrário da Organização Mundial de Saúde.

Alexandra Azevedo da Quercus disse à Lusa que"infelizmente não é surpresa, já é tradição das agências europeias serem favoráveis à indústria".

A Quercus, tal como as organizações ambientalistas europeias, defende que o glifosato é potencialmente causador de cancro, posição que baseiam em estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e desta forma critica a Agência Europeia dos Produtos Químicos que considerou que o glifosato não deve ser considerado cancerígeno, o que deverá levar a Comissão Europeia a relançar o procedimento para a renovação da licença desta substância.

Refira-se que há mais de um ano, a OMS classificou este herbicida como "carcinogénico provável para o ser humano e carcinogénico provado para animais de laboratório".

Este produto químico químico tem sido alvo de vários alertas dos ambientalistas e, em Portugal, em 2014, a Quercus lançou uma campanha nacional a apelar aos municípios para que deixem de utilizar pesticidas para eliminar ervas daninhas em jardins e outros locais públicos, com o argumento de que são responsáveis por danos na saúde, podendo provocar cancro.

Conluio com a indústria

A responsável da Quercus disse ainda que "as agências europeias não fazem quaisquer estudos e apenas se baseiam nas informações fornecidas pela indústria" que não divulga os trabalhos.

Ao contrário, acrescentou, a posição da OMS parte de estudos científicos publicados.

"Organizações internacionais como a Greenpeace, têm denunciado a falta de transparência e o concluiu com a indústria em entidades que deviam ser garantia de isenção e defesa do interesse público", criticou a ambientalista.

O Comité de Avaliação de Riscos europeu chegou, por consenso, à conclusão de que a substância não deve ser catalogada como potencialmente cancerígena, depois de analisar toda a informação recolhida sobre o glifosato, anunciou hoje em Helsínquia o diretor da agência.

A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) tem a responsabilidade de classificar os produtos químicos na UE e determinar o seu perigo potencial.

O parecer da ECHA também já mereceu críticas por parte de diversas Organizações Não-governamentais (ONG), que recordam outros pareceres científicos em sentido contrário.

“Para chegar às suas conclusões, a ECHA rejeitou provas científicas flagrantes de cancro em animais de laboratório”, lamentou já a Greenpeace, que acusou ainda os especialistas da agência europeia de ignorarem os alertas de dezenas de cientistas independentes.

Em Portugal, o Governo já aprovou, em janeiro deste ano, a proibição do uso de pesticidas em espaços públicos como jardins infantis, parques e jardins urbanos, escolas e hospitais “com o objetivo de reduzir e controlar os efeitos sobre a saúde pública”.

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