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Quercus critica abate de sobreiros para construir barragens no Tâmega

O Governo declarou a “imprescindível utilidade pública” da construção das barragens do Alto Tâmega, permitindo o abate de mais de mil sobreiros nas áreas que serão inundadas. Esta quarta-feira, a Quercus considerou que a decisão era “lamentável”.
Fotografia: apcor.pt
Fotografia: apcor.pt

Mais de mil sobreiros serão abatidos nas áreas que serão inundadas pela construção das barragens de Daivões e Alto Tâmega, em Trás-os-Montes. Desses, 40% são adultos. O governo considerou que os dois empreendimentos, que serão construídos pela Iberdrola, elétrica espanhola, são de “imprescindível utilidade pública”. Para que os projetos sejam levados a cabo, proceder-se-á ao derrube das árvores protegidas.

O despacho sobre o projeto informa que a empresa espanhola “solicitou o abate de 444 sobreiros adultos e 701 jovens”, no que perfaz um total de 1145 árvores, que se estendem por “cerca de 15,07 hectares”.

O projeto de compensação das barragens implica a replantação dos sobreiros abatidos noutros pontos da região, com uma majoração de 20%.

Contudo, em declarações à Lusa, João Branco, da Quercus, afirmou que esta decisão é “lamentável”, acrescentando que, desde o início, já se “sabia que estes sobreiros teriam de ser abatidos, uma vez que ficam na área inundada”. O ambientalista considera que se trata de uma “grande perda ambiental e económica para a região” e teme ainda que o número revelado “seja uma estimativa por baixo e que deve haver muitos mais sobreiros juvenis que não estão a ser contabilizados”. Salientou também a “franca regressão [do sobreiro] no país”, que está “mesmo com graves problemas de produtividade e fitossanitários”. “E é lamentável que, no Alto Tâmega, onde o sobreiro é uma espécie importante e onde há uma das melhores manchas do Norte do país, seja sacrificado este número considerável de sobreiros”, acrescentou.

Já não é a primeira vez que sobreiros são abatidos devido a empreendimentos hidroelétricos no Tâmega. Já no final de 2016, o governo autorizou a retirada de de 608 árvores em cerca de 4,6 hectares localizados na área de construção da barragem de Gouvães.

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