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Quercus alerta para perigos de exploração de urânio

A Quercus alerta para os perigos para a saúde pública e o ambiente que representa um projeto de exploração de urânio, a céu aberto, na província espanhola de Salamanca, uma zona de fronteira com Portugal.

Nuno Sequeira, membro da direção nacional daquela associação de defesa do ambiente referiu à Lusa que esta situação pode levar à contaminação de rios, aquíferos, solos e ar com partículas radioativas, além de riscos relacionados com doenças respiratórias e oncológicas.

Perante a gravidade desta situação, a Quercus entende que o governo português deve pedir esclarecimentos ao executivo espanhol, manifestando, desta forma, vontade de participar na discussão pública do projeto, uma vez que se trata de três áreas de exploração de urânio a céu aberto, situadas entre 20 a 100 quilómetros de localidades portuguesas localizadas nos distritos da Guarda e de Bragança.

Questionado pela Lusa em relação a este assunto, o Ministério do Ambiente indicou que solicitou uma “atualização da informação” à Agência Portuguesa do Ambiente.

Refira-se que habitantes e ambientalistas de Boada, em Salamanca, pediram hoje aos portugueses, residentes em zonas fronteiriças próximas, que os ajudem a travar o projeto de exploração de urânio, previsto para o território de Retortillo/Villavieja.

Segundo José Sánchez, secretário da plataforma espanhola Stop Uranio, é um território "muito próximo" de uma das entradas do Parque Natural do Douro Internacional.

Sanchéz referiu ainda que "há dois cursos de água que atravessam o território onde vai ser instalada a exploração mineira de urânio, que vão desaguar no rio Douro, junto ao território de Saucelle (Espanha) e Freixo de Espada à Cinta (Bragança), a jusante da barragem espanhola de Saucelle".

Resíduos altamente perigosos

Na opinião de Nuno Sequeira, este projeto é incompatível com o desenvolvimento do interior de Portugal  porque os resíduos de urânio "são dos mais perigosos".

“Os impactos negativos são muito grandes", não só para o ambiente e a saúde, mas também para a agricultura e o turismo”, sublinhou.

Ambientalistas e representantes dos municípios espanhóis abrangidos pelo projeto mineiro, da empresa Berkeley Minera España, SA, admitiram já ter recorrido a instâncias europeias, por o mesmo se encontrar em zonas de proteção especial, como a Rede Natura 2000.

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