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Quem teve uma vida de trabalho não pode ter duplo corte na reforma

Na feira da Senhora da Hora, em Matosinhos, Catarina falou sobre as injustiças relativas que o governo manteve no sistema de pensões, nomeadamente para quem teve uma longa carreira contributiva e sofreu um duplo corte devido ao fator de sustentabilidade do tempo da Troika.
Catarina na Feira da Senhora da Hora, em Matosinhos. Foto de José Coelho, Lusa.
Catarina na Feira da Senhora da Hora, em Matosinhos. Foto de José Coelho, Lusa.

Em Matosinhos, na feira da Senhora da Hora, onde foi abordada por pensionistas, Catarina Martins trouxe à campanha o problema dos trabalhadores com longas carreiras contributivas que, por se terem reformado entre 2014 e 2018, sofreram um duplo corte do fator de sustentabilidade que hoje já não existe, mas que o Partido Socialista rejeita eliminar para estes pensionistas.  

“Há muitas pessoas em Portugal que, tendo uma vida de trabalho e longas carreiras contributivas, têm pensões muito baixas. E permanecem, alguns, com um duplo corte do fator de sustentabilidade que já acabou para quase toda a gente, mas ainda há algumas pessoas que ainda vivem com esse corte na sua pensão”, começou por dizer.

No tempo da Troika foi introduzido um segundo fator de sustentabilidade por cima do já antes existente e, quem pediu a reforma antecipada naquela altura, sofreu não só um corte de 0,5% por cada mês de reforma antecipada, mas também um corte extra de 15% à cabeça.

“Conseguimos acabar com o duplo corte para a maior parte dos casos. Quem começou a trabalhar em criança já não sofre o duplo corte. E quem aos 60 anos já tem 40 anos de carreira contributiva ou tem uma profissão de desgaste rápido, também não sofre o duplo corte. No entanto, as pessoas que se reformaram entre 2014 e 2018, sofreram o duplo corte que já não existe hoje”, explicou.

“Portugal não pode tratar assim quem trabalhou toda uma vida. Quem teve uma vida inteira de trabalho, mais de 60 anos de idade e mais de 40 de descontos, não pode ter dois cortes na sua pensão. Temos de garantir a pensão justa a quem trabalhou toda uma vida”, insistiu.

“O nosso sistema de pensões tem injustiças relativas e fizemos um trabalho entre 2015 e 2019 para acabar com esses cortes. E agora o Partido Socialista quer impor, de forma intransigente e inexplicável para o país, que algumas das pensões mantenham os cortes, quando noutra situação, os mesmos trabalhadores já não teriam o corte”, criticou.  

“Como é que podemos dizer a alguém que tem mais de 60 anos e mais de 40 anos de carreira contributiva, terá dois cortes cortes do fator de sustentabilidade, e outra pessoa ao lado não terá os mesmos cortes?”, questionou. “Esta injustiça pesa muito. Pesa na própria credibilidade do sistema”.

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