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"Quem põe dinheiro em offshores está sempre a roubar o país"

Catarina Martins interveio no debate quinzenal com o Primeiro Ministro, na Assembeia da República, que interpelou sobre offshores, Swiss Leaks, o Novo Banco e ainda sobre os investigadores de pós doutoramento despedidos pelo Instituto Superior de Agronomia.
Catarina Martins no debate quinzenal com o Primeiro Ministro.

Catarina Martins interveio na Assembleia da República, no debate com António Costa, onde discutiu a fuga de dinheiro para offshores e as medidas que devem ser tomadas para a evitar, o escândalo dos Swiss Leaks, exigiu que o Novo Banco permaneça sob controlo público e ainda interrogou o Primeiro Ministro sobre os investigadores de pós doutoramento que foram despedidos no Instituto Superior de Agronomia.

"Em 2011, ano da entrada da troika em Portugal, saíram do nosso país para offshores 4 mil milhões de euros. Nos anos da troika, quando os maiores sacrifícios eram impostos a quem vive do seu trabalho, de Portugal saíram para offshores 10 mil milhões de euros. Cada vez que os ricos, os mais ricos dos ricos decidem colocar dinheiro nos offshores e não pagar os seus impostos, estão a ficar com alguma coisa que não é sua", afirmou Catarina.

"Quem vive dos seu trabalho, quem tem o seu salário, a sua pensão, paga os seus impostos, por mais dificuldades que esteja a passar. Quem põe dinheiro em offshores está sempre a roubar o país" prosseguiu a porta-voz bloquista. "A fuga aos impostos é crime e é, seguramente, retirar possibilidades país. O Bloco de Esquerda acha que não pode ficar tudo na mesma" acrescentou a deputada, exigindo um compromisso da parte do governo e do Partido Socialista "para que o assalto dos offshores ao país não continue".

"O último governo, além de ter sempre ocultado os dados das transferências para offshores, também fez uma reforma do IRC que permitiu aquilo a que se chama planeamento fiscal agressivo das multinacionais, ou seja, basicamente, que fugissem com o dinheiro para onde não pagam impostos", continuou a deputada. "Quantos Continentes, quantos Pingo Doces existem na Holanda? Por que é que a Sonae ou a Jerónimo Martins não hão-de pagar mais impostos em Portugal?", questionou Catarina, que exigiu mudanças claras.

Swiss Leaks: não podemos deixar o crime impune

Catarina Martisn continuou a sua intervenção, abordando o tema dos Swiss Leaks. "O Bloco de Esquerda pediu os dados que o governo teria, ficámos a saber que há 612 pessoas que fugiram de pagar impostos em Portugal pelo esquema dos Swiss Leaks, mas a verdade é que não temos dados suficientes para perceber quanto dinheiro, como, com que mecanismos", afirmou. Catarina Martins sublinhou que "os crimes são de 2006 e já não poderemos atuar sobre alguns deles, mas é preciso saber quem foi, que mecanismos utilizou, exatamente o que aconteceu e por isso é preciso pedir mais informação à Suíça, não podemos deixar o crime impune".

"Exigimos a garantia que o Novo Banco não seja vendido com prejuízo"

"O vai mal nas contas públicas é, em boa medida, herança do governo PSD/CDS, mas há coisas que têm mesmo de mudar", afirmou Catarina martins introduzindo o tema do Novo Banco. "O Novo Banco é propriedade de um fundo de resolução que, teoricamente, é propriedade dos bancos, mas o dinheiro que lá está é público. 3900 milhõess de euros públicos. Sabemos que todo o dinheiro que os bancos puseram no fundo de resolução no ano passado, só chegou para pagar juros. Sabemos que há problemas novos no Novo Banco, não só por o seu perímetro não estar bem resolvido, uma resolução mal feita pelo anterior governo, como sabemos ainda que do antigo BES Angola haverá mais 700 milhões de euros de buraco no Novo Banco e, ainda por cima, as contas estão a contar com ativos de mais de 1000 milhões de euros em impostos de um banco que nem sequer tem lucro e, portanto, basicamente, as contas estão manifestamente exageradas, o que torna cada vez mais difícil podermos acreditar numa venda do Novo Banco que não cause prejuízo", descreveu a líder bloquista.

"O Bloco de Esquerda tem uma posição de princípio de controlo público do Novo Banco. Não irei discutir essa posição de princípio consigo, mas quero a garantia de que não teremos um novo Banif ou um novo BPN, ou seja, vender bancos a privados com prejuízos grandes para o Estado. Por isso, a garantia que queria é que o Novo Banco não seja vendido com prejuízo", sublinhou Catarina.

Catarina continuou, afirmando que "qualquer país que se leva a sério precisa de ter centros de decisão nacional no que toca ao sistema financeiro e não é, seguramente, na luta entre o controlo espanhol ou angolano da banca que Portugal vai defender os seus interesses. Terá de ser o controlo público e por isso, também, manter o Novo Banco em controlo público é tão importante para Portugal e para a economia".

"O acordo que temos é que os bolseiros de pós-doutoramento tenham contratos de trabalho, não é que sejam dispensados"

Por último, Catarina Martins discutiu com António Costa o despedimento de bolseiros de pós-doutoramento no Instituto Superior de Agronomia, onde "as bolsas não estão a ser renovadas a bolseiros de pós-doutoramento a meio de projetos de investigação. Já foram despedidos 7, irão outros 8 a meio deste mês e a perspetiva é que 30 em 100 podem sair".

"O acordo que temos é que os bolseiros de pós-doc possam ter contratos de trabalho, não é que Portugal perca investigadores, ou que os bolseiros sejam dispensado. Queremos uma garantia do governo que o combate à precariedade é que para que haja emprego com condições para que a investigação seja feita, sim, não à conta do ataque a projetos de investigação ou do despedimento de bolseiros", concluiu Catarina Martins.

Catarina Martins:"Quem põe dinheiro em offshores está sempre a roubar o país"

Catarina "Porquê é que a Sonae ou a Jerónimo Martins não hão de pagar mais impostos em Portugal?"

Catarina Martins:"Combate à precariedade é para que haja emprego com condições"

Catarina:"Precisamos de garantia de que o Novo Banco não será vendido com prejuízo"

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