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“Quem não reconhece a lei não serve para a Caixa Geral de Depósitos”

“Quem se demite por não estar disposto às regras de transparência a que o cargo obriga, nunca esteve à altura do cargo”, afirmou Mariana Mortágua, reagindo à demissão de António Domingues. Bloco espera agora que “se abra um novo ciclo de estabilidade na CGD”.
Segundo Mariana Mortágua, “o Bloco é uma garantia na defesa da Caixa Geral de Depósitos 100% pública e empenha-se no sucesso da sua recapitalização, que é um direito inalienável do Estado português sobre o banco público”. Foto de Paulete Matos.

Para a dirigente do Bloco, “a demissão de António Domingues da presidência da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) já só peca por tardia”.

“O inexplicável arrastamento deste processo ao longo de três meses foi prova de uma completa irresponsabilidade que em boa hora se encerra. Quem não reconhece a lei não serve para a Caixa Geral de Depósitos”, defendeu Mariana Mortágua durante uma conferência de imprensa que teve lugar esta noite na sede nacional do Bloco de Esquerda.

Conforme lembrou a deputada bloquista, “ao longo destes meses, António Domingues ouviu a palavra do presidente da República, que defendeu a entrega da declaração de rendimentos. Ouviu a palavra do Primeiro Ministro, que defendeu a entrega da declaração de rendimentos. Ouviu a palavra do Parlamento, onde todos e cada um dos partidos se pronunciou, sem exceção, pela entrega da declaração de rendimentos. E ouviu a palavra do Tribunal Constitucional, que afastou qualquer dúvida sobre as obrigações dos administradores da CGD”.

Para o Bloco de Esquerda, a luta pela transparência e pelo interesse público não é só o nosso mandato político - é uma das razões para o Bloco existir

“O Bloco, como reafirmámos na passada quinta-feira, dará sempre o seu voto a qualquer iniciativa que garanta mecanismos reforçados de transparência e que impeça alegações de ambiguidade da lei. Para o Bloco de Esquerda, a luta pela transparência e pelo interesse público não é só o nosso mandato político - é uma das razões para o Bloco existir”, frisou, sublinhando que “quem se demite por não estar disposto às regras de transparência a que o cargo obriga, nunca esteve à altura do cargo”.

Referindo que “a Caixa Geral de Depósitos é o maior banco português e o único banco público” e que “é um banco sólido e uma referência do sistema financeiro nacional”, Mariana Mortágua destacou que “o Bloco de Esquerda é uma garantia na defesa da Caixa Geral de Depósitos 100% pública e empenha-se no sucesso da sua recapitalização, que é um direito inalienável do Estado português sobre o banco público”.

“PSD e CDS adiaram o processo de recapitalização numa tentativa de fragilização da Caixa com vista à sua privatização. A atual maioria parlamentar criou condições para o processo de recapitalização pública. Este processo, que superou os entraves das instituições europeias, apenas seria fragilizado pelo incumprimento das obrigações de transparência da administração”, assinalou a deputada.

Segundo a dirigente bloquista, “é necessário um novo Conselho de Administração capaz de prosseguir o processo de recapitalização pública da Caixa e de cumprir esse mandato cumprindo a lei e as regras de  transparência exigíveis a titulares de cargos públicos desta importância”.

“O Bloco espera que com a demissão agora anunciada, e com uma nova administração, se abra um novo ciclo de estabilidade na Caixa Geral de Depósitos. Portugal precisa de um banco público que seja notícia pela sua capacidade de dinamizar a economia, o investimento e o emprego”, rematou Mariana Mortágua.

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