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Quanto custa a resiliência dos profissionais de saúde? 400 milhões de euros e muita exaustão

Se a resiliência é critério, o número de horas extraordinárias que os profissionais de saúde realizam confirma a sua capacidade. E isso tem custos, seja em semanas de 70 horas, fuga de profissionais ou drenagem de recursos orçamentais.
Esta evolução confirma um problema estrutural no SNS: a falta de profissionais.
Esta evolução confirma um problema estrutural no SNS: a falta de profissionais. Foto de Paulete Matos.

Nos primeiros nove meses deste ano, os enfermeiros realizaram mais de cinco milhões de horas extras e os médicos mais de quatro milhões. Considerando todo o universo de profissionais de saúde, o total de horas extraordinárias deste ano já ultrapassou o recorde de 2020, mais de 18,5 milhões de horas.

Entre horas extras e prestações de serviço, o Serviço Nacional de Saúde gastou apenas este ano mais de 400 milhões de euros.

Estes números são uma das razões fortes que explica a incapacidade do SNS em manter profissionais, levados à exaustão crescente a cada ano que passa pela recusa ou incapacidade do Governo em aumentar decisivamente as contratações nas diferentes unidades de saúde.

De todos os grupos profissionais do SNS, os enfermeiros são o grupo que mais horas extras realiza. 5,5 milhões de horas com um custo de 80,7 milhões de euros. Os médicos, com 4,4 milhões de horas suplementares, correspondem a um esforço orçamental de 141,7 milhões de euros. Os restantes profissionais de saúde, com 7 milhões de horas, obrigaram a um esforço de 77,1 milhões de euros.

Se a crise pandémica fez explodir o número de horas extraordinárias realizadas desde 2019, o aumento observado em 2021 ultrapassa todos os recordes, incluindo a pior fase da crise pandémica em 2020, com mais 1,2 milhões de horas contabilizadas até setembro deste ano.

Por outro lado, as prestações de serviço foram responsáveis por mais 105,7 milhões de euros, cerca de 3,6 milhões de horas extras, abrangendo hospitais e centros de saúde, algo que vai contra a meta do Governo para reduzir prestações de serviço através de meios próprios.

Esta evolução confirma um problema estrutural no SNS: a falta de profissionais que obriga ao recurso a mais horas extraordinárias e mais prestações de serviços numa espiral recessiva que drena mais recursos a cada ano que passa.

"As pessoas não querem fazer mais horas extras, fazem-nas a bem do SNS", afirma o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha, em declarações ao Público.

“Os 4,3 milhões de horas extras não me surpreendem, porque temos vindo a alertar para a necessidade de fixar mais médicos no SNS. Tem havido um aumento das rescisões além das reformas previstas pela incapacidade que os ministérios da saúde têm tido de programar a gestão dos recursos humanos”, reafirma.

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