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“Quando mais investimos em combate, maior é a incapacidade em controlar fogos florestais”

António Louro, presidente do Fórum Florestal Nacional, considera que o problema central está no ordenamento e na gestão da floresta. O deputado Carlos Matias manifesta disponibilidade para desencadear o processo legislativo para a criação das condições de organização dos produtores florestais.
“Quando mais investimos em prevenção, vigilância e combate, maior é a nossa incapacidade em controlar os fogos florestais”, afirma António Louro, presidente do Fórum Florestal Nacional
“Quando mais investimos em prevenção, vigilância e combate, maior é a nossa incapacidade em controlar os fogos florestais”, afirma António Louro, presidente do Fórum Florestal Nacional

O deputado Carlos Matias visitou, na passada quarta-feira 27 de julho, a Associação Florestal do Concelho de Mação (AFLOMAÇÃO), também presidida por António Louro. Os produtores florestais apontaram que tem “faltado gestão” para que se ganhe eficácia no combate à destruição provocada pelos incêndios florestais. Segundo António Louro, a gestão tem que ser feita através de estruturas associativas que permitam gerir em conjunto aquilo que é de todos.

“Quando mais investimos em prevenção, vigilância e combate, maior é a nossa incapacidade em controlar os fogos florestais”, salienta António Louro, sublinhando que o problema central está no ordenamento e na gestão da floresta e é nesse campo que não tem havido investimento significativo.

O deputado Carlos Matias, coordenador do Bloco na comissão parlamentar de Agricultura, manifestou total disponibilidade para desencadear o processo legislativo com vista à criação das necessárias condições de organização dos produtores florestais.

Em 2003, o concelho de Mação foi vítima de um grande incêndio florestal que levou a autarquia e os produtores florestais a uma grande reflexão e consequente mudança de paradigma na intervenção florestal.

Como na generalidade do país, o minifúndio florestal é dominante, bem como as monoculturas do pinheiro e do eucalipto, instaladas após o despovoamento rural na década de sessenta.

Antes de 2003, a autarquia considerava que tinha uma boa intervenção no setor: o cadastro florestal existe desde os anos 80, melhoraram as acessibilidades, abriram novos estradões e caminhos, fizeram pontos de água, criaram sistema de vigilância, de primeira intervenção e de combate, incentivaram os produtores a fazer projectos de florestação agrupados. Nada disto evitou que o fogo percorresse boa parte da área florestal do concelho.

O deputado Carlos Matias visitou a Associação Florestal do Concelho de Mação, também presidida por António Louro

O deputado Carlos Matias visitou a Associação Florestal do Concelho de Mação, também presidida por António Louro


A aposta nas ZIF – Zonas de Intervenção Florestal, revelou-se insuficiente, por falta de medidas complementares que incentivem uma efectiva gestão conjunta do território.

Atualmente, estão a trabalhar em formas mais sólidas de organização dos produtores que permitam executar e gerir o plano de ordenamento e de gestão coletiva, traçado em diálogo com os produtores, e consigam enfrentar o problema das monoculturas.

O deputado Carlos Matias considerou que é urgente nova legislação sobre a floresta para a promoção de formas de organização de produtores adequadas a cada realidade local, nomeadamente para ações de arborização e rearborização que permitam compatibilizar os interesses económicos com a preservação do ambiente. O Bloco, no início do próximo período legislativo terá estas questões nas suas prioridades, declarou Carlos Matias.

Termos relacionados Incêndios florestais, Política
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