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“Quando foi preciso que as instituições europeias respondessem, não faltou dinheiro para a banca”

Num debate entre cabeças de listas candidatas ao parlamento europeu, Marisa Matias criticou a estratégia europeia, afirmando que "quando foi preciso que as instituições europeias respondessem, não faltou dinheiro para a banca” e lembrando ainda os cortes nas pensões e nos salários durante os governos PSD/CDS.

Esta quinta-feira, 1 de maio, houve o primeiro debate entre os cabeças de lista às eleições europeias das seis principais forças partidárias. Moderado por Bento Rodrigues, o debate foi entre Marisa Matias (Bloco), Pedro Marques (PS), Paulo Rangel (PSD), Nuno Melo (CDS), João Ferreira (CDU) e Marinho Pinto (ex-MPT, atual PDR).

Marisa Matias afirmou que a importância do voto nas próximas eleições se reflete na “força de que necessitamos para defendermos os salários, as pensões, os serviços públicos, a proposta política de combate às alterações climáticas”. “Precisamos de juntar essa força a partir de 26 de maio”, afirmou, lembrando que, nos mandatos cumpridos em Bruxelas, o Bloco apoiou “o que precisa de ser apoiado para melhorar a vida das pessoas”, dando os exemplos das medidas de apoio a desempregados e a cuidadores informais.

Assim, a eurodeputada e cabeça de lista do Bloco afirmou que “estamos conscientes de que o trabalho que temos feito ao longo destes anos justifica uma maior confiança”. “Ao contrário de outras forças políticas, não dizemos uma coisa em Lisboa e fazemos outra em Bruxelas”, atirou.

Falando “do desligamento entre o que se diz aqui e o que se faz lá”, Marisa Matias afirmou que “as pessoas percebem que, quando foi preciso que as instituições europeias respondessem, não faltou dinheiro para a banca”, lembrando ainda os cortes nas pensões e nos salários dos governos PSD/CDS. “Para o setor financeiro, nunca faltou dinheiro”, afirmou a eurodeputada.

"Não basta dizer que somos contra os cortes"

Perante a possibilidade de Portugal perder 7% dos seus fundos, Marisa Matias garante que o Bloco não votará favoravelmente um orçamento que vá nesse sentido. “Seja qual for o governo que esteja nesta altura em funções, tem de vetar este orçamento”, afirmou, considerando ainda que este “não defende Portugal nem os portugueses”.

“A direita lamenta a falta de investimento em Portugal, mas em Bruxelas aprova todas as medidas que limitam a capacidade de investimento em Portugal”, acusou Marisa Matias.

A eurodeputada considera que “é possível anular este corte” e que tal “depende da relação de forças que existir e das posições dos partidos”. “Não basta dizer que somos contra os cortes. Os partidos de direita dizem que são contra eles, mas apoiam a Comissão, que é quem os impõe”, apontou Marisa Matias.

“Não podemos branquear forças políticas que não defendem valores democráticos”

Sobre o crescimento da extrema-direita, a candidata do Bloco afirma que “nem todos os partidos têm a mesma responsabilidade na sua normalização”, acusando os partidos do bloco central. De acordo com a mesma, isto “é visível de várias perspetivas”, listando “a forma como se tratou a questão dos refugiados e como se permitiu que o mediterrâneo se convertesse num cemitério, com 18 mil pessoas que perderam a vida em 5 anos”.

Marisa Matias afirmou ainda que “não houve um mínimo esforço para parar a venda de armas aos territórios em conflito para evitar as guerras das quais as pessoas estão a fugir”. Para mais, houve “políticas que deixaram as pessoas abandonadas, sem emprego, o que permitiu que houvesse um aproveitamento da extrema-direita”. “Não podemos branquear forças políticas que não defendem valores democráticos”, rematou.

Para que conta o trabalho de um eurodeputada?

Marisa Matias realçou, no decorrer do debate, três medidas levadas a cabo no decorrer do seu mandato: um regulamento que permite que as pessoas vítimas da deslocalização das fábricas possam ter financiamento para a requalificação profissional; a diretiva de combate aos medicamentos falsificados na União Europeia, “que retirou um setor que fazia 500 mil milhões de euros de lucro à custa das vidas das pessoas, com insulina falsa, medicamentos contrafeitos”; e a estratégia europeia de combate ao alzheimer e demências e necessidade de criação.

“Não chegámos aqui por desastre natural”

A candidata do Bloco afirmou que se vivem “tempos muito confusos na União Europeia”. “A questão do Brexit é a de se ter deixado entrar, como se fosse normal, o discurso racista e xenófobo, de se terem quebrado os vínculos de solidariedade, de não terem sido dadas respostas a problemas concretos das pessoas”, afirmou. De acordo com a mesma, “não chegámos aqui por desastre natural, mas porque houve maiorias políticas, e forças políticas que constituem estas maiorias, que nos levaram a esta confusão, que nos trouxeram a instabildiade e a incapacidade de lidar com os problemas concretos”.

“Entendemos que as eleições europeias são um bom momento para dizer que temos a oportunidade para responder aos problemas concretos das pessoas e dar a verdadeira estabilidade às pessoas, que passa por responder aos salários, às pensões, aos serviços públicos”, terminou.

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