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PS francês junta-se à candidatura da esquerda nas legislativas

Depois de ecologistas e comunistas, os socialistas também chegaram a acordo com a França Insumbissa para integrar as listas da Nova União Popular Ecológica e Social para as eleições de junho.
Olivier Faure, o líder do PS, à entrada para as negociações na sede da França Insubmissa. Foto Christophe Petit Tesson/EPA

Após vários dias de negociações, o PS francês e a França Insumbissa chegaram a um acordo para que os socialistas também integrem as listas a apresentar nas eleições legislativas de 12 e 19 de junho, com cerca de 70 candidatos num total de 577 círculos eleitorais. Com esta decisão, a esquerda francesa vive agora um momento histórico, ao ver os seus maiores partidos apresentarem-se unidos às eleições com o objetivo de conseguir a maioria no Parlamento e indigitar Jean-Luc Mélenchon primeiro-ministro. O lançamento da candidatura realiza-se no próximo sábado, 7 de maio.

O acordo entre os vários partidos prevê a constituição de um "parlamento de campanha" que junte as várias forças políticas e personalidades do mundo sindical, cultural e associativo. Após a eleição, cada partido conservará a autonomia e constituirá o seu próprio grupo parlamentar, estando prevista a criação de um intergrupo para acertar a ação política dos eleitos desta Nova União Popular Ecológica e Social.

No acordo que ainda será votado na direção socialista, prevalecem as principais bandeiras eleitorais de Mélenchon nas presidenciais: aumento do salário mínimo para 1400 euros líquidos, reforma aos 60 anos, controlo dos preços de bens de primeira necessidade e revogação das leis laborais atentatórias dos direitos de quem trabalha. Nas políticas europeias e em particular as posições face aos tratados e regras orçamentais, o tema que mais dividia socialistas e ecologistas das posições da França Insubmissa, houve cedências das várias partes: "nos nossos percursos, uns defendem a desobediência, outros a revogação transitória, mas temos o mesmo objetivo: sermos capazes de aplicar plenamente o programa partilhado de governo e respeitar assim o mandato que os franceses nos tenham dado", refere o anúncio do acordo por parte do partido de Mélenchon. Fica ainda claro que esse futuro governo não defenderá "nem a saída da União, nem a sua desagregação, nem o fim da moeda única", mas sim a "reorientação das políticas europeias e a mudança duradoura das regras e tratados europeus incompatíveis com a nossa ambição social e ecológica legitimada pelo povo".

PRG e LO de fora, NPA incomodado com entrada do PS

O apelo de Mélenchon à candidatura da esquerda sob um programa comum foi recusado pelo Partido Radical de Esquerda (PRG) e pela Luta Operária (LO) e decorrem ainda negociações com o Novo Partido Anticapitalista (NPA).

Em comunicado divulgado esta terça-feira, o NPA afirmava que as negociações iriam prosseguir, mas não escondia o seu incómodo com a perspetiva da entrada do PS nesta candidatura comum, ao considerar que apesar das cisões que os socialistas viveram nos últimos anos, o PS "continua a ser o partido do social-liberalismo ainda em funções em muitas regiões e departamentos" do país. "À esquerda, somos milhões a querer virar a página das políticas levadas a cabo por esse partido e não compreendemos esta busca de um acordo com ele". Para o NPA, "é preciso uma verdadeira rutura com a esquerda social-liberal, a única orientação para enfrentar a direita e a extrema-direita no quadro da crise do capitaismo".

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