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Protesto de motoristas da Uber parou trânsito em Bruxelas

A iniciativa aconteceu no final do II Fórum de Alternativas à Uberização que juntou dezenas de organizações representativas de trabalhadores uberizados.
Manifestantes contra a uberização em protesto em Bruxelas. Foto Taxi Project.
Manifestantes contra a uberização em protesto em Bruxelas. Foto Taxi Project.

Um protesto de motoristas da Uber por melhores condições de trabalho parou temporariamente esta quinta-feira o trânsito no distrito europeu de Bruxelas. Nesta cidade, realizou-se nos últimos dias o II Fórum de Alternativas à Uberização que juntou dezenas de associações, sindicatos e coletivos de trabalhadores de vários setores afetados pelo modelo de precarização do trabalho e de redução de direitos das plataformas digitais.

Depois do encontro, alguns destes trabalhadores reuniram-se com o Comissário Europeu para o Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit, apresentando-lhe as suas reivindicações. A Comissão Europeia deve apresentar uma nova diretiva sobre trabalho nas aplicações digitais até ao final do ano.

O Fórum foi promovido pelo grupo parlamentar da esquerda, The Left. E a eurodeputada francesa Leïla Chaibi explicou à Euronews que “as plataformas digitais encontraram uma forma de tirar proveito do estatuto dos trabalhadores independentes e dos empregados. Mas os trabalhadores é que sofrem os inconvenientes. As plataformas utilizam de forma fraudulenta o estatuto de trabalhador independente para não assumir as responsabilidades como empregadores”.

Para as organizações de trabalhadores uberizados, a luta é o caminho para inverter esta situação. Nuria Soto, da organização espanhola Riders X Derechos, pensa que é preciso “criar alternativas baseadas no coletivo e não apenas no indivíduo. O sindicalismo e o cooperativismo andam de mãos dadas”. E Tito Álvarez, coordenador do Taxi Project e do sindicato Élite Taxi Barcelona acrescenta que é necessária unidade entre os trabalhadores dos táxis e os motoristas das aplicações: “creio que as alianças são imprescindíveis. O mundo está a mudar e o sindicalismo tem de mudar, temos todos de mudar, mas mudar não como eles nos dizem mas para combatê-los e ganhar-lhes”.

O dirigente sindical avisa ainda que “se a diretiva que a Comissão Europeia prepara não parar as plataformas, nós estamos preparados para fazê-lo nas ruas”.

Em declarações à Euronews, Alberto Álvarez critica, para além da questão dos direitos laborais, a cartelização do setor: "assim que um aumenta o preço, é ativada uma tarifa dinâmica. Os outros detetam e também aumentam o preço. Está tudo correlacionado, monitorizam-se uns aos outros. E isto é completamente proibido. Concertar os preços é como criar um cartel. O algoritmo é a forma encontrada para quebrar o contrato laboral".

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